Review em Texto – The Innocent

Yo Pessoal! Estou aqui para trazer mais uma review em texto de uma obra que possui apenas um volume. O manga foi recentemente trazido para o Brasil com um certo hype em relação a ela e devo-lhes dizer que decepcionou.

Trago para vocês The Innocent! Um “projeto de manga” que com certeza foi uma total perda de dinheiro e lhes mostrarei o porquê desse lançamento da JBC ser mais um daqueles mangas caça-níquéis que não nos acrescentam em nada e estão somente para vender sob a faixa de volume único.

Então, venha descobrir que decepção foi The Innocent!

the innocent 2

The Innocent é uma das exceções no mundo dos mangas, pois temos três pessoas que trabalharam para lança-lo: o americano Avi Arad fez a história; o japonês Junichi Fujisaki ficou encarregado do roteiro; e o sul coreano Yasung Ko é o desenhista. The Innocent conta com 6 capítulos encadernados em 1 volume e foi trazido para o Brasil pela editora JBC com o valor de R$ 10, 90. Vale dizer que não encontrei em nenhum lugar da internet esta obra e caso haja algum curioso lhes aconselho a não comprar esse “projeto de manga”.

Fiquem agora com a premissa de The Innocent que pode ser facilmente encontrada no próprio site da JBC:

“O detetive Ash é falsamente acusado de um crime e acaba sentenciado à morte. Uma vez morto, o detetive é recepcionado no Céu por Angel, um anjo que o auxiliará em sua nova existência. Para purificar sua alma, Ash deve servir aos seres humanos e ajudar a salvar outras pessoas, também falsamente condenadas.

Mas nem tudo é tão simples; o novo “servente” deve respeitar as regras divinas e limitar suas ações dentro do que o Comitê considera justo. Poderá Ash salvar sua alma e ao mesmo tempo levar vingança àqueles que lhe traíram?!”.

The Innocent nos traz um começo simples, até um pouco clichê, pois não é a primeira vez que lemos uma estória de vingança sobre alguém que já morreu, mas mesmo assim se tudo for bem trabalhado é possível criar uma estória bem interessante. Sinceramente, o manga começa bem nos mostrando um pouco do cenário da obra, em que as pessoas podem se redimir de uma vida pecaminosa, e ainda nos mostra o interessante poder do personagem principal, que consiste em manipular as cinzas de seu corpo para poder interagir com o mundo real e auxiliar os demais inocentes.

A estória de The Innocent foi escrita pelo americano Avi Arad e é incrível notar como as raízes de uma pessoa podem influenciar no enredo da obra. The Innocent chega a lembrar daqueles seriados americanos policiais em que o detetive ao longo do episódio vai desvendando o mistério, mas será que isso foi benéfico ao manga? Será que essa ideia, típica da televisão americana, poderia ser transportada para outra mídia, no caso o manga? Até pode acontecer, mas esse não foi o caso de The Innocent.

the-innocent-manga

The Innocent falha miseravelmente na sua execução. A narrativa da obra acaba comprometendo um enredo que poderia vir a ser bom e consequentemente toda a obra. The Innocent possui um ritmo acelerado e acaba por comprometer tudo aquilo que se propôs. Como dito antes, uma obra que se propõe a um mínimo de investigação e de mistério sobre como de fato tudo aconteceu e consequentes revelações que devem possuir um peso não podem ser tratadas nesse tipo de narrativa. Isso é inviável, pois é necessário que o autor vá ao longo da obra construindo toda a trama e curiosidade no leitor para que no momento da revelação haja impacto, coerência de enredo e surpresa do leitor, mas como você fará isso se tudo acontece muito rápido?

The Innocent acabou caindo na própria armadilha que armou, pois acaba querendo passar muito mais conteúdo do que o espaço permitido fazendo com que a narrativa seja muito rápida. E como tudo ocorre rápido demais é possível perceber que nada é de fato bem trabalhado na obra, já que ocorrem diversas conveniências no enredo para que ele continue e o mistério não nos prende nem surpreende. Como o próprio roteirista escreveu na contracapa do manga que ele teve que finalizar a estória em um volume, é possível entender o por quê de tudo ter ficado de maneira tão superficial, porém caberia a ele também de tentar simplificar a estória para que fosse melhor executada, pois como já comentamos em um Pagando de Críticos, obras curtas devem ser concisas e objetivas e aquelas que tentam demonstrar coisas demais acabam se perdendo.

O personagem principal, Ash, é outro que foi mal aproveitado. Ash é um personagem aparentemente frio, mas quando o assunto é sua vingança ele se torna muito instável, indo algumas vezes contra as leis divinas impostas a ele. O personagem ao longo da obra não é nem trabalhado nem desenvolvido, o que é uma pena, pois há lacunas para tal. Ash possui um passado nebuloso que ao longo da obra precisa ser explicado para o leitor, mas ao invés disso somos presenteados com raras páginas fragmentadas que deveriam explicar tudo o que aconteceu em seu passado. Sensacional, um manga que trata sobre vingança e seu background é mostrado de maneira simplesmente porca.

Os personagens em geral de The Innocent são completamente superficiais esvaziando o enredo que depende muito do passado dos personagens, pois se trata de uma obra com o tema de vingança. Ninguém é de fato trabalhado ou desenvolvido e tudo é simplesmente jogado nesse manga. Vocês querem um exemplo? Vamos lá: Angel aparentemente possui um bom background, pois está com suas asas cortas e em nenhum momento da obra vemos isso ser sequer trabalhado, há apenas uma menção sobre o fato e só.

Vale aqui um destaque especial para um personagem e como estou falando de The Innocent é claro que não pode ser algo bom. Wal é simplesmente um dos personagens mais irritantes da história dos mangas. Ele é simplesmente um psicopata ridiculamente over-power, pois consegue perceber Ash, um fantasma, sem nenhuma explicação lógica e ainda consegue medir forças com Ash. Além disso, o que de fato o torna irritante é a repetição de uma mesma frase o manga inteiro “Vamos brincar?” . Alguns podem se lembrar de Hibari de Katekyo Hitman Reborn que também repete muitas vezes uma frase ou até mesmo Lambo que entrou no nosso Top 10 – Personagens Mais Irritantes, mas Wal, esse cara….. Irrita de uma maneira tão profunda que merecia um lugar nesse top.

O poder apresentado na obra, infelizmente, foi completamente jogado no lixo. A obra logo no seu início mostrou algo simples, mas interessante: um personagem que deveria manipular as próprias cinzas do seu corpo jaz falecido para poder interagir com o mundo real. Porém, a obra acaba falhando nesse ponto no seu desenrolar. O personagem principal consegue desenvolver seus poderes sem nenhuma explicação lógica, aonde ele consegue manipular tudo perfeitamente e ainda fica tão forte que consegue ir contra seus superiores.

the_innocent_planche

A arte de The Innocent foi feita pelo desenhista sul coreano Yasung Ko e fica perceptível suas origens em seus traços. O manga é feito todo num tom muito cinza, o que acaba combinando com o nome e corpo do personagem principal, Ash/Cinzas, como também consegue passar um tom mais sério a obra. Um aspecto positivo da arte é como foram feitas as cenas de ação incluindo o personagem principal, pois o desenhista conseguiu muito bem expressar as cinzas utilizadas por Ash se utilizando bastante do CG e fazendo com que toda ação fosse compreensível ao leitor. Um ponto negativo da arte vai para o fato de que todas as mulheres possuírem um mesmo rosto, por isso diversas vezes o leitor se encontra confuso sobre qual personagem está realmente na cena.

O cenário de The Innocent poderia ter sido mais bem aproveitado. Toda a questão do céu não foi bem aproveitada, sendo mais utilizada como um recurso de roteiro para fazer a estória iniciar. Além disso, nenhum lugar no mundo real recebe alguma importância, os lugares que os personagens visitam parecem mais checkpoints para eles poderem concluir a estória.

Outro ponto que gostaria de comentar é que no final do manga há comentários de algumas personalidades famosas a respeito da obra. O que me impressiona são como essas pessoas deixaram publicar seus nomes e comentários em tamanho lixo, e claro, todos falam bem da obra. Os comentários de Stan Lee, Sam Raimi e Nicolas Cage são uma pura decepção.

Vale aqui um comentário especial em relação ao Nicolas Cage. Primeiramente, o que ele está fazendo aqui? Qual a qualificação dele para comentar? Ele é um ator e não um desenhista/autor que é o caso dos outros. Outra coisa, que raios é haiku esotérico e método Lichtenstein? Fiquei muito com a impressão de alguém querer pagar uma de cult aqui. Enfim, depois dessa bizarrice só posso dizer para vocês esperarem um Pagando de Críticos para discutir o que é haiku esotérico e método Lichtenstein. =)
Comentário do Nicolas Cage:
“ Com uma base sólida no limiar entre a vida depois da morte e a existência material, a obra se mostra como um haiku esotérico. Através da animação e do método Lichtenstein, ela atinge um nove patamar de HQ, uma verdadeira poesia”.

Vamos falar agora da edição feita pela JBC. A editora recebeu optar por um tamanho menor do que geralmente empreende, sendo de formato igual ao manga Soul Eater. Em relação ao trabalho de tradução, não ha muito que se falar, pois como disse, não consegui achar a obra em inglês para poder fazer a comparação, mas mesmo assim, não há erros gritantes nesse quesito já que não há diálogos de difícil compreensão e o leitor consegue entender tudo. O manga possui duas capas diferentes e contracapas coloridas para agradar o leitor. Mas, se temos que citar um ponto negativo, vai para a falta de um índice no manga dizendo aonde os capítulos começam, o que acabou complicando a vida deste que vos escreve na hora de fazer a review.

the innocent capas

Gostaria de comentar e criticar um pouco a JBC por trazer esse manga. Primeiramente, está mais do que claro que este se trata de um manga puramente caça-níqueis em que a editora se aproveitou do fato da obra ser de volume único e por ela não poder ser encontrada na internet. A vinda desse manga me faz ficar preocupado com os rumos do mercado brasileiro de mangas, pois esta cada vez mais evidente para mim que não há um controle de qualidade dentro das editoras. Cada vez mais, obras e mais obras estão vindo para o Brasil com as mesmas condições que The Innocent, e só para citar a própria JBC: alguém acha que Manga of the Dead vai ser bom? Enfim, fico muito preocupado com os consumidores de manga no Brasil, principalmente depois de ouvir de que certa editora lutou e lutou para poder trazer fucking Sailor Moon para o Brasil.

Então pessoal resumindo: The Innocent é um manga que decepcionou por querer mostrar muito mais do que queria em um espaço muito curto e isso resultou numa estória muito corrida em que tudo foi visto de maneira superficial e não gerou nenhum impacto durante toda a leitura. Por todos esses motivos, eu chamo The Innocent de “projeto de manga”, pois de fato poderia ter se tornado uma boa obra se fosse devidamente trabalhada. E para concluir, a minha nota para The Innocent é 3.

Então, por favor, não comprem esse porcaria que trouxeram para o Brasil e para aqueles que tiveram a infelicidade de comprar The Innocent podem utiliza-lo muito bem como papel higiênico.

Qualquer reclamação, xingamento, comentário sobre a review ou a obra, por favor, escrevam abaixo nos comentários, mas lembrem-se, utilizem argumentos válidos!

É isso aí pessoal, espero que tenham gostado da minha review de The Innocent assim como gostei de escrevê-la.

12 pensamentos sobre “Review em Texto – The Innocent

  1. Método Lichtenstein é um método usado para cirurgia de hérnia, pelo menos foi o que encontrei no Google.Tem um artista de pop art chamado Roy Liechtenstein.Quanto a Haiku esotérico, eu sei o que é um haiku (mini-poema japonês), mas haiku esotérico já é viagem.
    Mais um mangá que eu não vou dar a mínima, pelo visto sofre o mesmo problema de Helter Skelter.

  2. Comprei esse mangá pela capa (sim, julguei o livro pela capa), ainda tá fechado, n tive tempo de lê-lo e watchmen e 20th century boys estão na frente dele, então… Vou deixar pra ler quando tiver mesmo num tédio muito grande e sem nada pra ler, afinal, já comprei, tenho que ler.

    • não cara, nem perde teu tempo, é MUITO RUIM, no texto ele fala por cima só, mas EM TODO QUADRO TEM UM BORDÃO A LA ZORRA TOTAL. Acho que pensaram que se fizerem o personagem repetir a mesma frase toda página, ia se tornar marcante… É muito dificil ler até o final, nada nessa obra é boa exceto a arte, vai por mim, deixa fechado.

  3. Ontem quase comprei esse mangá; me deixei levar pelo fato de nomes como Avi Arad assinarem a obra,por sorte desisti ,pois o exemplar disponível na banca encontrava-se em um péssimo estado de conservação;no fim acabei levando Os Livros da Magia,já que achei bem justo o preço de R$ 25,90 levando-se em consideração a qualidade .

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