Comentando: Vagabond – Capítulo 320

E agora vamos para o primeiro comentando de Vagabond.
Vagabond que agora esta sendo lançado de forma periódica por Takehiko Inoue, o que fenomenalmente diminui a quantidade de traços em seus desenhos, mas nem um pouco sua qualidade.
Qualidade que esta presente e de forma clara no capitulo que estarei comentando.
Mas antes disso só um aviso, estou comentando do ultimo capitulo lançado que esta no meio de um arco. Então saibam que serão dados spoilers e se você não lê Vagabond não leia este texto.
E finalmente chegamos ao momento da tempestade.

320

Comentários por Lucas:

Para começar vou dar uma resumida rápida no arco, para aqueles que não se importam com spoilers e estão fazendo a besteira de ler este texto.

O manga chegou em um dos momentos mais marcantes da vida de Musashi, onde vemos o personagem como pai, agricultor e mais importante como pessoa. Um arco decisivo para a obra, pois é nele que o manga se distância da espada como instrumento, para mostrar a espada como uma representação do ser. E vale dizer que até agora Inoue vem apresentando o enredo com maestria, ouso dizer que ele está fazendo uma representação de Miyamoto Musashi, melhor que a presente no livro de Eiji Yoshikawa.

Mas parando de enrolação e falando do capitulo, afinal o post foi feito pra isso.

et_j_o051_016_copy

Como havia dito na introdução, essa é a chegada da tempestade e falando assim até parece algo grandioso, mas a tempestade não passa das primeiras páginas. O interessante na tempestade é a representação  do momento, Musashi está em uma confusão pessoal e ele por si só é destrutivo para os que estão ao seu lado, e como vimos no capitulo anterior alguém tão grande simplesmente não é capaz de ver os mais fracos.

et_j_o051_031_copy

E é nisso que o capitulo se mantem, no momento em que ele deve desistir de ganhar poder e se tornar superior, para finalmente poder conviver. E essa é a grande beleza em sua relação com a criança, como ele mesmo diz ao ver o garoto “uma pessoa fraca”. E é neste exato momento que o autor nos mostra que a relação é para com todos, quando ao falar que a criança é fraca , Musashi vê de encontro a si o fraco que sempre esteve ao seu lado, mas que ele próprio nunca pode entender e ajudar a crescer.

et_j_o051_039

Ser capaz de compreender o próximo, entender que nem todos são fortes, alguns crescem de maneira discriminada e acabam de pisar naqueles que são inferiores. Musashi sempre teve um físico superior, os sofrimentos que teve na infância aguçaram seus instintos, o tornaram o samurai mais poderoso, mas agora ele precisa se igualar aos outros para poder ser um grande homem.

Inoue cada vez mais está transformando Vagabond em uma obra de arte e não somente um quadrinho, e eu não tenho muitas conclusões a fazer afinal a vida de Musashi continua no manga. Por isso só deixo clara a mensagem de que um ser forte não é um ser superior, não está em sua habilidade a sua grandeza, mas sim em reconhecer sua habilidade e a fraqueza do próximo para que ambos cresçam juntos, como os campos de arroz em Vagabond.

et_j_o051_040-041

Esse foi um texto muito subjetivo, mas é Vagabond não tem como fujir disso. Obrigado por lerem e até a próxima.

Fui!

Anúncios

12 pensamentos sobre “Comentando: Vagabond – Capítulo 320

  1. O site tá bugado pra mim ou é sério que ninguém fez um comentário no post ainda? O.o Nem mesmo a galera do “Gostei do texto.”… Acho que todo mundo lê ou pretende ler Vagabond e se afugentaram com os spoilers.

    Esse é provavelmente meu texto favorito até agora 🙂 1º. Ele está bem escrito e passou muito bem o que precisava ser dito apesar de curto. 2º. e sem tirar os créditos do Lucas, mas Vagabond é uma puta obra foda e por mais que adore Hunter x Hunter, a narrativa da obra não permite tantas interpretações e/ou comentários subjetivos por ser bastante simples, mas Vagabond não só tem uma história interessantíssima para contar como o faz de maneira verdadeiramente artística, cheia de interpretações e subjetividade.

    Tanto que até agora (ainda não estou acompanhando a obra, falha minha…) meus capítulos favoritos são aqueles que não tem grandes acontecimentos, mas que conseguem passar uma mensagem dos sentimentos, da vida ou da situação do Musashi apenas com seu cotidiano e situações comuns, além de uma arte fenomenal, que foi o que senti desse capítulo pelo que o Lucas escreveu.

    Essa necessidade de interpretar os personagens e seus sentimentos para tirar tudo da obra me lembra Shamo, outra obra que conheci por aqui e adoro, que tem também bastante disso, apesar de Vagabond fazer de uma maneira um tanto melhor, admito, por mais que goste de Shamo e de seu protagonista.

      • kkkkkk Assim o Lucas faz parecer que eu estou puxando o saco dele 🙂 Mas o texto ficou bom mesmo, principalmente pela sua interpretação muito boa de uma obra muito foda que permite comentários do tipo.

        Quanto à resposta do Trilles, o pessoal que acompanha o site gosta bastante de textos, inclusive vocês tem que pedir para que todos escutem aos podcasts, então não acho que seja por falta de casts/reviews, apesar de já estar sentindo falta, e sim por uma falta de interesse na obra, o que é meio triste… A maioria do pessoal não deve acompanhar Vagabond e quem acompanha não deve querer levar spoilers, pelo menos acho que é isso.

        Além do mais, fim de ano é um período bem complicado para fazer qualquer coisa, eu mesmo estava bem atolado até hoje, e especialmente para quem está na faculdade, imagino. Enfim, esperando que passado essa época, vocês voltem com o ritmo normal porque sei que trabalhos e provas de fim de ano estão complicando a vida de vocês.

        • O que acontece é que realmente rolou uma diminuída no publico que visitava o site, e parte disso vem do fato de pararmos de falar de polêmicas. Aparentemente o pessoal gosta é de ver agente falando mal de Naruto, ou de vir discutir sobre isso. E como meu texto de Vagabond não tem nenhuma critica, as pessoas não tem interesse em comentar, se eu estivesse metendo o pau no Inoue de certeza que teriam diversos comentários.
          Por isso que tenho uma visão diferente da maioria quanto aos comentários, claro que fico feliz que meu post tenha muitos comentários, mas entre 100 coments que só dizem: legal, muito bom ou lixo. Eu particularmente prefiro 1 bom comentário como o seu por exemplo.
          E sobre o tempo, esse final de ano tá sendo uma tortura, tenho trampo pra lançar até no dia 31. Pelo menos o pessoal que faz faculdade tem férias, eu nem sei se vou ter um descanso no final de ano.

  2. Eu li o capítulo agorinha. quando apareceu o Matahachi eu fiquei puto! Como não reparei na relação do atual desenvolvimento do Musashi com o amigo de infância dele?! Aliás, essa foi uma cena muito foda, me fez ficar pensando no início do mangá.

    Eu acho que Vagabond está sujeito à mesma situação de Oyasumi Punpun, se torna algo tão pessoal que faz as pessoas hesitarem em discutir sobre. Já que falei disso, nada sobre o volume 13 de Punpun?

    • Eu reparei facilmente isso por um simples motivo, Vagabond não é um manga que se olhe de forma linear, tudo o que acontece com manga funciona para o todo da história. Cenas do inicio do manga são fundamentais para mensagens que só estão sendo passadas agora.
      Vagabond com o tempo se torna uma experiência e não uma simples leitura.

  3. Eu ainda estou acompanhando o mangá. Parei de ler na expectativa de retomar quando o mangá estivesse completo, mas por curiosidade tive que ler esse texto sobre o último capítulo.

    Então quer dizer que toda a parte da vida de Musashi como um samurai errante desafiando adversários fortes e se tornando mais forte acabou? Ele já derrotou Sasaki Kojirō?

    E quanto ao estilo de luta com duas espadas que ele cria e que até hoje ainda é uma escola famosa? Já aconteceu ou ainda irá acontecer?

    Estou confuso sobre onde essa vida familiar e de agricultor do Musashi se encaixa, já que eu imaginava que ele teria todos os famosos duelos históricos terminando com Kojirō e depois disso ele se retiraria para se dedicar a um maior aprofundamento na arte da espada culminando com a fundação de sua escola ao mesmo tempo em que ele também se dedicaria a escultura e escrita acabando por escrever o clássico livro de estratégia militar antiga japonesa.

    • Olha não vou dar nenhum spoiler sobre o que ocorreu no manga, então se quiser saber o que aconteceu leia, pois você só tem a ganhar com isso.
      O que me surpreende é você ter comentado diversos aspectos da vida de Musashi que só representam importância para o externo da obra. Os campos de arroz e a vida de Musashi com a criança são peça fundamental para a transformação de Musashi no que ele é ao final de sua vida, e se você não conhece essa parte de sua história, recomendo que leia os livros sobre o mesmo. Poderia dizer que a espada e os duelos presentes em Vagabond são os aspectos de menor importância, a experiencia de vida e a evolução de Musashi como homem são os pontos de real importância em sua história, e só sabendo disso que se pode entender como musashi fez todas as coisas que você citou.
      Um erro de sua parte, pelo menos em minha visão é tratar Vagabond como um relato histórico, sendo que o mesmo é definido como um romance da vida de Miyamoto Musashi. O manga procura trabalhar valores e sentimentos, ele procura ensinar e não relatar, e se você lê esse quadrinho com o objetivo de ver como Musashi realizou seus feitos, então você não está aproveitando nem 1% do manga.
      Isso é só uma dica você não precisa me escutar, mas uma coisa é certa, a sua confusão só existe porque você não leu o manga e aparentemente não leu os livros sobre a vida de Musashi. Então a solução é simples, leio o manga e os livros, preste atenção nas mensagens e tudo ficará claro.

      • Eu sei que Vagabond é inspirado no romance sobre o Miyamoto Musashi e não possui a finalidade de ser um relato histórico, mas como um apaixonado por história o que me fez começar a ler o mangá é o fato de ele mostrar a jornada do samurai mais célebre do Japão, que num período de transição sociopolítica onde os samurais perdiam importância, representou o ápice do caminho do guerreiro, tendo os seus mais de 60 duelos mortais enquanto jovem, e se tornando na velhice um grande mestre do Kenjutsu e das táticas militares. Mas claro que o mangá usa a história real de Musashi como plano de fundo para desenvolver a personagem e o enredo e como de costume nesse processo se faz uma exacerbação ou romantização do real.

        É interessante observar como as culturas sustentam seus heróis romantizados do passado. Nos EUA é os cowboys do rústico Velho Oeste quando aquele país se expandia para se tornar o imenso país que são hoje. Na Europa são os cavaleiros medievais, especialmente os franceses e ingleses, e os vikings. No Japão são os samurais do período feudal daquele país. Aqui no Brasil houve uma tentativa, em grande parte institucional, de tornar os bandeirantes, os exploradores do interior, nesse tipo de figura, mas nem de longe se obteve algo parecido com os anteriores. Em comum o guerreiro perante um ambiente difícil. Nos últimos tempos os vikings estiveram em alta, bem como a Idade Média européia como um todo e no Japão a importância dos samurais pode ser sentida pela quantidade de animes e mangás que partem deles para construírem suas tramas. Um mangá que trata do maior dos samurais não poderia ter tido um resultado feliz se não fosse épico como Vagabond é. Se bem que Musashi já habita o imaginário japonês e serve de inspiração para filmes há décadas, mas estou certo que o mangá será uma obra que perdurará como uma referência.

        Voltando ao mangá, sim eu o vejo para ver os feitos de Musashi, é e provavelmente ainda será minha principal motivação, entretanto, não acho que eu esteja perdendo algo. Do que eu já li pude perceber que o ponto principal do mangá é a transição entre o jovem, violento e ‘’fraco’’ Shinmen Takezō para o velho, sábio e poderoso Miyamoto Musashi. A evolução interna do homem é aquilo a que acompanhamos, não tenho dúvidas disso, mas essa evolução se faz através da história de Musashi, de seus duelos e de suas realizações na segunda metade de sua vida, afinal são esses que fazem dessa uma história que merece ser de alguma forma contada. O momento que o protagonista muda de nome (qualquer semelhança com Rurouni Kenshin não é mera coincidência, diz muito sobre nomes e seus significados naquela cultura) deixa muito claro que estaremos acompanhando primordialmente a transformação desse homem. Apenas espero que a inevitável guinada aos ideias pacifistas do protagonista não me desaponte tanto quanto em Vinland Saga, o que eu acho difícil de ocorrer dada as diferenças na forma de causarem isso.

        A minha confusão sobre essa vida rural familiar de Musashi é que na minha mente ele não teria uma passagem assim, mas faz sentido que essa vida sirva de ponte entre o Musashi dos duelos e o Musashi do Niten Ichi Ryu, uma das maiores escolas de Kenjutsu ainda existentes, e do Livro dos Cinco Anéis, considerado o equivalente japonês do livro A Arte da Guerra de Sun Tzu,e entre o Musashi que só sabia lutar e o Musashi que é um destacado pintor e estudioso de poesia e filosofia budista, e mesmo que o Musashi real não tenha tido algo assim, se não me engano existe uma lacuna de tempo depois que ele se retira da vida de duelista que se encaixaria na história do mangá.

        Não lerei o livro porque o mangá conta quase que a mesma história e todo mundo diz que o mangá é melhor então vou me ater ao mangá mesmo e como eu disse estou esperando o autor finalizá-lo, vim aqui e fiz aquelas perguntas por que a curiosidade foi mais forte.

        • Como falei em meu ultimo comentário, sua confusão está no fato de não conhecer a história de Musashi, você pode até saber pontos importantes da história, mas isso uma pesquisa no Wikipédia já resolve, só que não te faz conhecer sua história. Eu li os livros sobre Musashi, não só os que Inoue usou para escrever Vagabond, como os que o próprio Musashi escreveu.
          Você mesmo disse que não lerá o livro porque o manga é melhor, bem eu discordo disso, não por achar o livro superior, mas porque você aparentemente não entendeu a diferença nas duas formas de apresentar a história. O que você citou não passa da ponta do iceberg você mesmo disse: “Do que eu já li pude perceber que o ponto principal do mangá é a transição entre o jovem, violento e ‘’fraco’’ Shinmen Takezō para o velho, sábio e poderoso Miyamoto Musashi”.
          Isso que você falou meu amigo está longe de ser o foco do manga, isso é um detalhe que ele passou nos últimos capítulos, e que na verdade ele só se focou em um.
          Tudo isso de escola, pintura, escultura e espada, isso são só detalhes que não fazem a menor diferença se você não entende o contexto. Que importância tem se ele esculpiu um pedaço de madeira, o que realmente importa é o que se pode aprender com o momento em que ele realizou aquela ação.
          E pelo seu comentário posso dizer claramente que por sua visão, o conteúdo presente na Wikipédia já basta, lá você vai ter todos os dados e se eles foram importantes.
          Vagabond está muito longe disso, como disse em meu texto ele é uma obra de arte com base na vida de Myiamoto Musashi, só uma sequencia de quadros desenhadas pelo Inoue vale mais do que saber se o Musashi ganhou um duelo. Um exemplo de que os dados não representam nada é o Ayrton Senna, que é considerado por muitos o maior piloto da história, mas só com dados qualquer um negaria isso, pelo fato de ele não ser o piloto com maior numero de títulos, mas ao ver suas corridas e a forma como ele pilotava conseguimos entender o porque de ele ser considerado por muitos o melhor.
          Você pode pensar que eu só estou cagando regra, e ok se tu quiser ler Vagabond só por um relato histórico, mas na minha opinião você não vai estar aproveitando a obra em sua totalidade.

  4. Bom texto, ainda não estou nesse capítulo esperando o scan brasileiro continuar pararam no Capítulo 309, mas enfim, estou curtindo bastante esse momento da vida do Musashi que ele tá sendo um espécie de Pai, muito legal ver esse lado do personagem, o interessante de ver o quanto ele evoluiu durante a obra, no começo ele era só um “Garoto Demônio”, aos poucos ele vai evoluindo, muito legal ver o lado mas humano de Musashi, bem dito pelo felipe, vagabond está se tornando ao parecido com Oyasumi Punpun, do tipo que você tem que tentar entender do seu jeito o que aconteceu.

    Seria legal se fizessem um Cast/review novo sobre Oyasumi Punpun, agora que a obra já terminou.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s