Comentando: Hunter X Hunter – Episódios 118-119 (PARTE 1)

Dae pessoal, aqui é o Estupratom trazendo mais um Comentando de Hunter X Hunter.

Hoje eu comentarei episódio 118 e 119. No futuro provavelmente teremos um novo participante e parceiro fazendo os comentando de Hunter x Hunter. Ele é um leitor antigo do site e tem seu próprio site de críticas de mangas e animes. Ele se ofereceu para fazer os Comentando de Hunter x Hunter  se conseguir tempo livre em sua agenda. Não irei acabar com a surpresa, quando ele fizer seu primeiro texto ele mesmo vai se apresentar para vocês.

Com ele assumindo essa série eu terei mais tempo livre para poder me dedicar em outros projetos, como o meu Cerveja e Manga, o Comentando do último arco de Toriko e Comentando dos dois últimos volumes de Oyasumi Punpun.

118 e 119 parte 1

Comentários por Estupratom:

Assim como eu fiz no último comentando de Hunter x Hunter, eu vou focar meu texto na qualidade da adaptação e em como ela tem superado minhas expectativas, comparando seus acontecimentos com os do manga. Não irei separar meus textos pelos episódios, irei comentar os confrontos. No momento temos cinco confrontos acontecendo ao mesmo tempo. Dois deles não foram mostrados nesse episódio, o do Rei VS Netero e do Gon VS Pitou. Os dois principais focos dos episódios foram a missão do Ikalgo e a batalha contra o Monthutuyupi. Entre esses dois confrontos principais tivemos algumas cenas mostrando a pressão psicológica que o Morel tem enfrentado. Prefiro separar esses conflitos porque a timeline deles é simultânea, ou seja, acontecimentos do episódio 119 ocorrem junto com os do 118.

Um ponto que eu amo nesse arco são as mudanças de motivações dos personagens ao compararmos Hunter x Hunter com outros shounens. Enquanto quase todos os humanos acabam agindo de forma egoísta, deixando-se levar pelas emoções, os vilões agem da forma mais  altruísta possível.  Podemos ver isso em praticamente todas as formigas, o Rei em prol da Komugi, os guardas reais em prol do Rei e até mesmo nas ações do Ikalgo e do Meleoron. Em contraponto temos o Gon colocando sua vingança acima de tudo, o Killua se colocando em riscos desnecessários para descontar sua raiva e o Knuckle agindo por orgulho. Os dois personagens que fogem a regra são os mais estrategistas de ambos os lados, o Morel e o Welfin.

hunter x hunter egoismo

A evolução do Yupi trouxe um desenrolar fantástico para a batalha. Ver os heróis lutando contra um monstro burro e raivoso é algo já trabalhado dezenas de vezes em shounens, mas não me lembre de nenhuma outra obra que fez um personagem como o Yupi. A maioria dos leitores prefere a Pitou, mas o meu guarda real favorito é sem a menor sombra de dúvidas o imprevisível Monthutuyupi. Sua convicção em proteger o Rei é tão forte que ele consegue reprimir e controlar seus extintos primitivos e ainda usar eles para enganar seus oponentes.

Esse é um dos pontos onde novamente a adaptação superou a obra original. Enquanto no manga apenas explicam que ele está fingindo entrar em fúria para atrair seu adversário, as imagens que mostravam sua mentalidade e estado de espirito em contrapartida com sua atuação são feitos do anime que não tem no manga, e em minha opinião eles apenas adicionaram carga dramática a cena e credibilidade a sua armadilha.

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O monólogo mental do Knuckle em seus últimos momentos foi ótimo. Tanto do anime quanto no manga eu realmente acreditei que sua morte era iminente. Um detalhe interessante é que mesmo ambos tendo a cena e diálogos idênticos, a narrativa deles foram completamente diferentes devido as diferenças entre as mídias. Para passar a impressão de “tempo parado” o manga fez uma página com uma quantidade imensa de diálogos, onde todos os quadros mostravam praticamente o mesmo momento na timeline. No anime foram representados todos os pensamentos acelerados e emoções do personagem enquanto visualmente presenciávamos o tempo real, isso fez com que pudéssemos sentir a mesma sensação que o Knuckle teve ao perceber o tempo desacelerado e seu significado.

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Ao perceber sua morte, ambos as mídias usaram a mesma técnica visual para mostrar a aceitação do inevitável. Os quadros e imagens do Knuckle vão perdendo a coloração e detalhes conforme sua morte se aproxima, até o ponto onde toda a imagem fica branca. Tal imagem pode passar uma emoção diferente para cada espectador/leitor, eu a assimilo com o último suspiro de vida, a última luz antes da eterna escuridão ou até mesmo as portas do paraíso. O anime adicionou o guerreiro revendo deus amigos e seus últimos momentos, seguidos de uma rosa vermelha perdendo todas suas pétalas junto com o fundo branco, essas adições ficaram perfeitas com o ritmo e mensagem da cena.

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Essa cena teve algumas adições do anime que me agradaram bastante e uma característica que eu preferi no manga. A expressão sinistra do Yupi quando ele pretende matar seu adversário ficou mais impactante em preto e branco do que na coloração vermelha do anime. Como vocês podem ver nas imagens acima, o nanquim usado nos quadros do Yupi em contraste com o branco dos últimos momentos do Knuckle me passaram uma impressão mais horripilante da formiga no manga. Na adapitação, as cores e a risadinha me passarão uma sensação de “pegadinha do malandro, vai morrer playboy!” e no manga eu vi a morte em pessoa sorrindo para mim.

Em compensação o Knuckle ficou bem melhor na adaptação, pelo menos ao meu ver. Ele tropeçando ao sair correndo, suas lágrimas ao lembrar do amigo e seu grito de felicidade ao cumprir seu objetivo e fugir com vida foram momentos impagáveis. Em sequência temos a chegada do salvador, mostrando toda sua raiva em seu olhar triste e enfurecido. É muito interessante como o Knuckle vai embora sem saber quem o salvou e sem nem se perguntar como, ele é completamente dominado pelo desespero e felicidade do momento.

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O embate do Killua com o Yupi foi idêntico ao do manga. A única diferença é que no anime a presença do Meleoron não é revelada, não que isso interfira em algo, os atos dele ficam óbvios na adaptação mesmo sem mostrá-lo. Provavelmente isso vai ser mostrado nos próximos episódios quando a for mostrada a perspectiva dos acontecimentos pelos olhos do Meleoron.

Sobre o enredo, o Togashi é simplesmente um gênio ao criar as habilidades de seus personagens. Novamente ele mostra como algo simples pode se tornar algo fantástico se você tiver criatividade e talento. Em Yu Yu Hakusho ele tinha feito as habilidades e poderes mais fantásticos que tinham até o momento, mas em Hunter x Hunter ele conseguiu se superar. A goma do Hisoka, a corrente do Kurapika, a eletricidade do Killua, o Jaken do Gon, as bombas do Bomber,  … Porra! É impossível listar tudo, praticamente todas as habilidades da obra são criativas, bem desenvolvidas e combinam perfeitamente com as personalidades e convicções de seus usuários.

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Até algo genérico como o poder de criar raios se torna algo único nas mãos desse gênio. As explicações das técnicas do Killua, sua representação, eficiência e limitações são simplesmente fantásticas. No final desse confronto a narrativa do manga mostra novamente sua perfeição. O narrador, técnica de narrativa que normalmente é utilizada de forma simplória,  conta no final da batalha que as emoções do Yupi vão levar o personagem a fazer uma escolha inacreditável, instigando o leitor logo antes de mudar a perspectiva para outro confronto.

Logo em seguida ele mostra a técnica do Shoot desaparecendo, mas dessa vez o narrador não fala nenhuma palavra, algo que ele nunca tinha feito em momentos desse tipo. Isso faz o expectador ficar nervoso com as possibilidades. Será que o Shoot morreu ou está apenas inconsciente? Se ele tiver morrido como o Knuckle vai lidar com a culpa de ter priorizado o orgulho ao atendimento médico do amigo? Esse clima de incerteza é algo que existe apenas no anime, porque no manga essa cena é trabalhada de forma diferente, não vou detalhar para não dar spoilers de cenas que ainda não aconteceram no anime.

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Acho que o texto já ficou bem grande, vou encerrar por aqui a primeira parte do Comentando. Espero que vocês tenham gostado e não esqueçam de comentar a opinião de vocês sobre os episódios e sobre minha abordagem nesse texto. Se vocês virem algum erro de ortografia não precisam se segurar, coloquem nos comentários que eu corrijo o texto. São oito da manhã e eu ainda nem fui dormir, é bem provável que eu tenha deixado algum erro passar.

Já aviso que semana que vem vou estar viajando a trabalho, estarei em Blumenau participando do Festival Brasileiro da Cerveja durante toda a semana. Vocês podem ver meus comentários sobre a missão do Ikalgo e o empasse entre o Morel e Shaiapouf na PARTE DOIS (vai ser publicada no domingo). Não se esqueçam de checar o Primeiras Impressões que o Crive fez sobre o primeiro volume de Rin, obra do mesmo autor de BECK, que será publicado amanhã(sexta).

4 pensamentos sobre “Comentando: Hunter X Hunter – Episódios 118-119 (PARTE 1)

  1. Sinceramente não tive essa impressão do narrador estar mantendo um clima de incerteza com o futuro do enredo. Mesmo já tendo lido o mangá, não consegui ver essa diferença entre as mídias.
    Em relação aos personagens o Yupi foi como quase tudo em HxH. Bem construído e desenvolvido não se prendendo ao shounen tradicional, um alívio pra mim. Eu adoraria ver mais obras se desprendendo dessas amarras, claro que tem muitas obras que conseguem ir melhor do que HxH, mas aqui acho que há um equilíbrio entre o clássico e típico shounen e inovações muito bem-vindas da criatividade do Togashi.
    Meu personagem favorito dessa saga é a Komugi, a única personagem fraca e inútil, mas foi trabalhada de forma tão genial e natural que se torna o ponto central da trama em diversos momentos.
    Ótima analise Estupratom, pode dormir sossegado, não cobrarei revisões de texto desta vez pq não comprometeram o entendimento, só por isso.

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