Primeiras impressões – Mushishi

Eae pessoal. Aqui é o Markimudkip, estreante e aspirante a ocupar uma vaga na equipe do EMD. O Alzheimer do Estupratom insiste em me chamar de Magikarp, mas é só coisa da mente idosa dele. Em meu primeiro post, resolvi navegar por águas mais serenas, deixando aqui as minhas primeiras impressões de Mushishi, uma obra singular, fantástica.

Mushishi

Escrito por Yuki Urushibara, o mangá começou a ser publicado pela Afternoon Seasons Zoukan no ano de 1999. A partir de 2002, passou para a Seinen Afternoon, totalizando com 10 volumes ao final de 2008. Em 2005, o estúdio Artland fez a adaptação em um anime com 26 episódios, chegando até mesmo a passar no Brasil, pelo canal Animax.

3 Depois de quase 8 anos, surpreendentemente o anime retornou para uma 2° temporada em abril de 2014, inicialmente com um especial para a TV em janeiro, intitulado de Hihamukage e o anime propriamente dito, Mushishi Zoku Shou, finalizando os acontecimentos vistos no mangá.

Para os antigos fãs da série, essa foi uma notícia boa demais para ser verdade. Mesmo com as temporadas de animes decadentes que tivemos nos últimos 2 anos, a temporada atual trouxe esperança para todos os apreciadores de boas adaptações.

Em Mushishi, somos apresentados a criaturas conhecidas como mushi, seres em contato com a essência da vida na sua forma mais básica e pura, diferindo-se da origem de outros seres vivos, mas mantendo-se uma relação entre as duas partes. Devido à sua natureza efêmera, a maioria dos seres humanos são incapazes de perceber os mushi e desconhecem à sua existência, embora existam alguns capazes de ver e interagir com tais seres.

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Dentre eles, há Ginko, que se intitula um mushishi, uma espécie de caçador de mushi (ou um agente de endemias pra ser mais exato). Ele adota um estilo de vida nômade, e em suas viagens pelo Japão da era feudal, ajuda pessoas que estejam enfrentando problemas com os mushi. As histórias apresentadas se desenvolvem isoladamente, sendo o ponto em comum a interferência de Ginko sobre os mushi e seu impacto no cotidiano das pessoas afetadas por eles.

Agora que terminei de falar sobre os pontos gerais de Mushishi, vou passar para as minhas impressões, tanto do anime (1° e 2° temporada) como do mangá:

Primeiras impressões

Mushishi tem uma narrativa lenta, até mesmo monótona, mas se engana quem acha que a obra se arrasta num marasmo sem fim. Com uma ambientação diferenciada, ela te faz imergir num universo mais tranquilo, apresentando problemas do cotidiano com um toque sobrenatural de maneira única, sendo este o charme da obra.

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Já deixo expresso aqui, que infelizmente Mushishi não é uma obra aonde todos irão se identificar e apreciar. Muito do que é passado em cada história, é singelo, usual e até comum de certa forma, e nos faz refletir sobre aspectos da vida sob outro prisma. É algo muito particular, ou você habitua-se ao ritmo dos acontecimentos e vai criando uma relação com a obra, ou você descarta de vez.

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A animação cumpre bem seu papel, e apesar de ser mediana, sem maiores inovações, conseguiu trazer uma atmosfera singular, melhor trabalhada que o mangá, especialmente em Mushishi Zoku Shou, contrastando as cores vívidas e luminosas dos mushi a opacidade do mundo real, os cenários, os detalhes, a própria estética foi melhor desenvolvida. Os enquadramentos do mangá foram quase transpostos diretamente para o anime, fazendo pontes de ligação animadas a cada quadro visto no mangá, mantendo uma fidelidade com o que a autora, Yuki Urushibara, queria transparecer, enriquecendo-se de aspectos lúdicos a cada história contada.

O traço do mangá deixa a desejar em muitos pontos, principalmente pelos cenários ausentes ou pouco detalhados com seus borrões, as vezes irritantes e talvez por isso eu considere que a autora inovou apenas no quesito enredo, porque o roteiro segura esses problemas e você acaba relevando a arte falha e percebe que ela consegue entregar um bom trabalho no fim das contas.

A perceptiva ausência de ação não incomoda, pelo contrário, tudo parece habitual, rotineiro, quase poético e encaixa perfeitamente na estrutura de Mushishi. Muito disso, se deve pela adaptação em anime ter sido bastante fiel ao original, capturando o que há de melhor do mangá, especialmente em Mushishi Zoku Shou.

9 E o que dizer da trilha sonora do anime. Leve, instigante, apaixonante. Até os momentos de total silêncio trouxeram sutileza para os episódios. Não se trata de uma soundtrack primorosa, mas foi bem trabalhada, e é isso que importa.

O Estupratom se emociona que nem uma criancinha ao escutar essa opening.

Mushishi é recomendadíssimo, ganhou diversos prêmios importantes e merece atenção. O único problema aqui talvez seja o seu público, mais restrito e averso a este tipo de trabalho. Devido a adaptação fiel, animação superior a arte do mangá e a soundtrack bem elaborada, acredito que a experiência ao assistir o anime compensa bastante, principalmente para os interessados em animes com abordagens mais singelas e pessoais.

Eu sempre preferi uma boa leitura a um anime, esta mídia nunca conseguiu me conquistar de forma plena. Ambas as versões são boas e tem seu valor, basta você se interessar pela abordagem e então escolher a mídia de sua preferência.

Então é isso, comentem o que vocês acharam e flw! Até a próxima.

Você encontra o mangá (em inglês) pelo: http://www.mangatraders.com

E em português pelo: http://www.centraldemangas.com.br

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PS: Vocês não acreditam no que eu falei sobre o Estupratom? Então saca só: SignMushishi

15 pensamentos sobre “Primeiras impressões – Mushishi

  1. Me lembro de quando peguei o anime pra ver pela primeira vez, não consegui passar dos 8 primeiros epis, só depois de alguns anos com a chegada da segunda temporada fui pegar um episodio pra ver… e adorei ! nunca tinha visto um anime tão sereno e ao mesmo tempo com tantos conflitos. Personagens que mudam em todo episodio, ao contrario dos rostos que sempre permanecem os mesmos😄. Otimo post, espero que o anime entre pro season review =D

      • Sobre a questão dos rostos serem familiares entre si tem uma explicação, mas não quis entrar no mérito da questão, pq trata-se de um primeiras impressões, embora Mushishi tenha dezenas de reflexões ocultas em toda a obra. É necessário um olhar mais apurado pra perceber isso.

        Ps. Se estiver falando da última imagem, é que em fóruns é comum usar assinaturas e avatares, só pra comprovar que o Estupra é fã de Mushishi, num nível bem preocupante.

        • Pra falar a verdade nunca matutei a fundo sobre essa questão, sempre achei que fosse algo do estilo ou proprio charme da obra, (inclusive as vozes das crianças que pra mim são sempre as mesmas (O_o) ) se tem algo por trás desse peculiaridade eu não percebi, sou bem desligado em detalhes😄.

          Espero que o Estupra não seja um fanboyola da obra…tomara.

        • Quanto aos dubladores, cheguei a pesquisar, em animes que mudam muito os personagens, eles acabam revezando e você acaba percebendo isso melhor ao ver vários episódios em um curto espaço de tempo. No mangá, a similaridade entre os personagens tem uma função, quanto a dublagem talvez tenham usado do mesmo mecanismo, mas isso eu não posso afirmar.

        • Espero que no cast você fale sobre essas dezenas de reflexões, porquê percebi bem poucas em relação à vida e que me acrescente em algo.

      • Dae. Sobre a imagem, essa é uma das sign que eu fiz para mim a muitos anos atrás.

        Eu não me considero fanboy de nada, talvez de Evangelion, mas para mim Mushishi é das melhores obras que vi em minha infância. O primeiro episódio do anime me impactou profundamente. Eu nunca tinha visto um anime fazer abordagens tão delicadas e profundas, não de maneira que me afetasse.

        Mas é uma obra que recomendo apenas para pessoas que sabem aproveitar uma boa narrativa e que conseguem ver as delicadezas de uma atmosfera bem formada.

  2. E aí? Morreu a segunda parte do podcast sobre a atual temporada? Ou esse post sobre Mushishi é algum sinal de que vocês irão incluir a tal obra para ser analisada junto com o Ping Pong? E talvez seja por isso a justificativa da demora? Anyway…

    Sobre o post, Mushishi é uma obra diferenciada e única. Cada episódio é como se fosse um conto, uma parábola. A ideia de passar uma lição de adaptação com algum fator ambiente, que no caso seriam as tais criaturas chamados de Mushi.

    E por ser diferenciada, é um tipo de animação que entra no seleto grupo de séries que a maioria não irá ver porque precisa usar a massa encefálica para poder entender. Não é que nem JoJo’s onde você só precisa desligar o cérebro para curtir as incoerências do enredo.

    Na questão do ritmo, eu não considero lento, está dentro da proposta da série. Se fosse rápido e inconstante como a maiorias dos shounens, ela perderia a sua sutileza diferenciada, tornando-se assim mais uma série padrão sem graça. Isso é problema de quem não está habituado com esse tipo de ritmo, aí não tem muito o que fazer. É ame-o ou deixe-o. Ou melhor parafraseando: é ame-o, ou deixe-o ou aprenda a gostar!

    PS. Só corrigindo que Mushishi não significa caçador. Se for traduzido literalmente para o português, seria mais ou menos como um “Mestre Mushi”. Alguém que absorve os conhecimentos e estuda as causas naturais dos seres Mushi; para assim poder criar remédios e meios para combatê-las. Se deixar caçador dá a ideia de parecer ser uma série a lá estilo Pokémon.

    • A melhor definição ao meu ver, seria agente de endemias, mas n gostei do termo. Nada encaixa melhor que isso, e pus uma espécie de caçador porque achei q ficaria aceitável. E se vc perceber, o Ginko é um bom Mushishi, e cada um tem uma maneira de trabalhar e sua definição acaba remetendo o mushi como algo ruim, algo a ser combatido e não compreendido.
      Alguns destroem eles, acham que são maus, a maioria na verdade, poucos Mushishis tem noção da importância deles para aquele universo, como você pode ver na história do “mar de palavras” fala exatamente sobre isso.
      Ps. Ainda assim considero Mushishi lento em relação a outras narrativas, mesmo sendo o estilo da obra. É lento, embora seja agradável. Obg pelo comentário!

    • Chamar uma narrativa de lenta não quer dizer que ela ruim. A narrativa de Mushishi e lenta e delicada, não dependendo de plot twists ou grandes clímax, o grande foco da narrativa é tocar o leitor, não impactá-lo.

      Porém, mesmo a narrativa sendo de boa qualidade (ela compre seu papel com êxito), ela não deixa de ser lenta. Muitas pessoas não vão gostar do ritmo, podendo até mesmo se sentir entediadas. Isso acaba sendo pessoal de cada um.

      Isso aconteceu comigo no filme 30 Centímetros por Segundo, onde nem sequer consegui assistir até o fim.

      O Magikarp não quis insinuar que a narrativa deveria ser mais rápida, apenas comentou que esse ritmo pode incomodar o espectador.

  3. É uma obra excelente. É algo bem profundo e que te traz uma “paz” interior muito grande quando está vendo/lendo à obra. É uma obra extremamente bem feita, o enredo é todo bem feito, as histórias são bem construídas e com boas doses de drama. Obra tem um clima extremamente agradável, uma temática bem interessante, algo meio sobrenatural, mas sem abusar, é tudo bem dosado. Realmente é uma obra excelente e que está entre as melhores que eu já li.

  4. Estou no episódio 14 de Mushishi, queria chegar nos atuais da segunda temporada de Mushishi, posso pular os episódios que restam da primeira e seguir pra segunda, depois voltar pra primeira e assisti-lá ? Irei perder alguma coisa ? explicações ou algo do tipo ? Não que esteja ruim, mas eu estou ansioso pra ver a continuação mesmo *-*

    Que obra espetacular, alguns momentos lindos, outros que eu considerei macabros, o melhor episódio é quando conta o passado do Ginko, aquela voz(dubladora) da velha é realmente foda! E eu tenho a leve impressão que ela fez participação no último episódio de Hunter x Hunter, justamente quando Gon sem braço vai dar o último golpe na Pitou, era algo similar à : ”Está na hora de… você dormir também.”

    • N estarei fazendo casts, Gon. Sobre as reflexões, elas são mais evidentes pelo mangá e o autor até dá algumas dicas no meio do caminho. Eu n tinha visto o anime, e tbm ficaria meio perdido se tivesse visto apenas ele, embora eu acredite que o anime seja superior ao mangá em muitos pontos, talvez esse seja o ponto positivo do mangá, permite explicar mais, observar os detalhes.
      Pessoalmente, eu recomendo que veja em ordem, mesmo que as histórias não tenham conexão, algumas coisas são citadas adiante, mesmo que não pareça ter tanta importância. A cada novo episódio, vc consegue perceber uma tendência gradual em aumentar a carga dramática e a tornar a relação dos mushi mais complexas, mas isso n é via de regra, já que tem alguns episódios mais tranqüilos tbm. Obg pelo coment. Flw.

  5. Pingback: Notícias EMD – Grande franquia de volta as origens | Ecchi Must Die!

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