Primeiras impressões – Gunka no Balzer

A guerra é um campo de batalha ou um espetáculo a se admirar? Markimudkip de volta com suas reflexões em mais um primeiras impressões e hoje trago pra vocês Gunka no Balzer (também conhecido como Gunka no Baltzar ou Militarismus Baltzar), mangá escrito por Nakajima Michitsune, um seinen que trata essencialmente de conflitos políticos e militares.
Gunka no Balzer

O mangá é publicado no Japão pela Comic Bunch desde 2011 e não parece, até o momento, ter planos de vir ao Brasil, o que é uma pena. Apesar da obra não ter um apelo popular muito forte, por fugir dos manjados shounens de batalha (exatamente por isso indico o mangá)  e ter poucos elementos deste gênero, creio que Gunka no Balzer tem forte potencial e chama a atenção tanto do público masculino, pela questão militar, quanto o feminino, pela criação de cenário e personagens bem suavizados e belos, inspirados em elementos da era vitoriana com uma pegada mais atual.

Nesse primeiras impressões vou falar sobre o primeiro volume da obra, mas sem spoilers. Então fiquem tranquilos e vamo que vamo.

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Sinopse: “A história de Gunka no Balzer se passa em uma Europa alternativa do século 19, em uma região assolada por guerras civis. A obra segue os passos do Major Bernd Balzer do grande Estado militar de Weiben, que foi transferido para uma academia militar no país aliado de Baselland com o intuito de desenvolver as forças armadas da região. No entanto, o Major terá muitas dificuldades, devido as obsoletas guarnições do lugar  e também de alunos e instrutores acostumados com técnicas militares ultrapassadas e o marasmo de uma vida pacífica.”

Primeiras impressões:

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Gunka no Balzer já se mostra muito competente desde o início, apresentando o enredo e seus personagens de forma bem fluída e acrescentando as devidas e necessárias explicações no momento certo. As implicações políticas e militares desenvolvidas desde as primeiras páginas, são bem interessantes e não pesam os balões com muita informação, sabendo dosar bem nos diálogos.

A escolha do personagem central foi bem acertada, e acho um dos pontos mais fortes deste primeiro volume. O Major Bernd Balzer é imprudente, divertido, oportunista, inteligente e bem sagaz, e bastante atrapalhado também. Sem dúvida foi um personagem pensado para se destacar desde o início. Apesar disso, os coadjuvantes também conseguem ter seu espaço e mostrar que a história não ficará dependente de um único personagem para seguir em frente.

O autor Nakajima Michitsune mantêm um padrão de enquadramentos simples e não arrisca em nenhum momento, o que não chega a ser um problema, mas eu particularmente vejo que o autor tem capacidade para ousar. Ele possui um traço bem detalhado, tanto dos personagens, principais e figurantes, quanto dos cenários, e é bastante competente na disposição e movimentação dos quadros, compensando sua falta de ousadia. Apenas incomodo-me que quase todos os personagens tenham um caracter design mais afeminado, destoando um pouco da temática mais séria e máscula que o autor tenta passar, mas nada que comprometa a obra.

Algo que sempre me chateia é a insistência em tratar uma guerra mais como um espetáculo, do que um massacre, e Gunka no Balzer não foge a regra, tendo até mesmo como nome de seu primeiro capítulo: “A beleza do campo de batalha“. É bem claro que o autor entende de armamentos e do cotidiano de uma academia militar, mas parece que ele se deixa levar por assuntos mais básicos e esquece um pouco dos horrores da guerra e a questão social e psicológica dos soldados neste início da história. Há beleza na guerra de certa forma, com as questões estratégicas, a infantaria, armas, mas ao menos nesse primeiro volume, faltou expressar os requintes de crueldade presentes em uma guerra e que já foram melhor colocados em outros mangás seinen, tal como Vinland Saga. Apesar de ter algumas cenas mais fortes, a história ainda está centrada na academia militar e o problema é que em alguns momentos parece que fui transportado para uma escola comum e os alunos não compreendem que estão sendo treinados para guerrear e não para a vida acadêmica, o que acaba se tornando uma faca de dois gumes.

Logo acima eu comentei que o autor deixou a questão psicológica e social dos soldados de lado, mas em compensação, ele traz a população de Baselland como foco para futuros conflitos, tanto sociais, como políticos. Afinal, um povo que sofreu muito por guerras e vive um momento de paz, pode ter orgulho de seu exército e suas demonstrações de força, só que não esquece suas dores e pode rejeitar a agenda militarista de Weiben. Especialmente neste ponto, vejo grandes possibilidades para a obra e um grande diferencial de outras obras históricas.

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Outro ponto positivo na obra, é a discussão sobre o progresso implantado por Weiber em Baselland. As contestações feitas em relação as novas técnicas de treinamento, comércio e inclusão de tecnologias mais modernas carrega junto, suspeitas desta aliança e a confiança extrema sobre suas habilidades de combate, o que pode levar Baselland a ruína. O intuito de aproximar as duas nações traz além disso, conceitos sociológicos sobre passado e presente e o medo de seguir em novas direções e, ao menos para mim foi surpreendente ver tais temas serem trabalhados tão cedo na obra.

Os diálogos e explicações, como eu disse anteriormente foram todos muito bem colocados, mostrando preocupação com a construção do roteiro. Percebe-se que o autor pesquisou a fundo a época, a ambientação e os costumes da Europa do século 19, ao qual passou um período nebuloso de pós-guerra e vivenciava rumores de novos conflitos. Só espero que tudo isto se mantenha no decorrer dos capítulos e não perca o controle das explicações constantes e da atmosfera criada. Muitas informações foram colocadas e espero que sejam desenvolvidas a seu tempo, sem se atropelar.

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Gunka no Balzer  tem um ótimo roteiro, com diálogos bem colocados, uma arte muito bonita, personagens carismáticos, embora um pouco clichês. A maturidade e a simplicidade de como os temas são trabalhados mostram como esta obra tem grande potencial e, que mesmo sem trazer maiores inovações, merece a atenção. Então é isso, espero que tenham curtido. Até a próxima e flw!

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8 pensamentos sobre “Primeiras impressões – Gunka no Balzer

  1. Li os dois primeiros capítulos do mangá a um tempo atrás, e a impressão q me passou seria q o foco seria mais mais na vida dentro da academia, e não nos conflitos, chefes militares e etc. Apesar de ter achado a arte boa, a estória inicial não conseguiu me agradar
    Esse tema acadêmico já não me agrada a um bom tempo, por isso larguei , mas pelo q vc falou aqui, parece q haverá um foco mais nos conflitos militares em si, procede isso?

    Parece q a galera do site da saindo do foco de anime e mangás, e como já houve a review de uma série de tv, recomendo q vejam House of Cards, sinceramente, achei a série totalmente excelente (tuas temporadas já lançadas e mais duas já encomendadas se não me engano).

    • Exatamente como você disse. Parece inicialmente que a academia militar está mais para uma escola do que realmente é, preparar futuros soldados para a guerra. O autor logo percebeu isso e tratou de mudar essa sensação e acrescenta bons plots já ao final do primeiro volume e expande o universo da obra de forma até inesperada.
      Outro problema que venho notando nessa e em outras obras seinens também é a demora em encaixar a história, mas que mais a frente apresentam um desenvolvimento muito bom. Vi esse problema em Vinland Saga e a mesma coisa em Gunka no Balzer, a grande diferença entre elas, é que Vinland Saga já é bem cruel e sanguinária no começo, e mostra melhor a guerra como deve ser e não se preocupa com alguns aspectos imaturos e que logo são retirados mais a frente em Gunka no Balzer.
      E estamos anotando as sugestões de vcs e vendo como conciliar as séries de TV dentro do EMD, pq estávamos focando naquelas baseadas em HQs. Obg pelo coments.

      • Hum, creio então q darei mais uma chance pro mangá futuramente.
        Quanto ao estabelecimento da estória em si, não posso falar muito pois os únicos seinens q leio atualmente são Vagabond, Vinland Saga e Drifters (sério q isso é seinen? Sei lá, se tirasse a sanguinolência, seria mais um shounen de porradeiro divertidaço e bem construído), mas sobre Vinland, creio q mesmo sendo super drástica a mudança de ritmo, ambientação q a série sofre, foi muito boa essa mudança, esse arco da fazenda ta muito bom ( acabei de ler o 12).

  2. Gunka é um ótimo manga, já li todos os cap traduzidos pela Lion scans, a história começa boa com foco na academia, e se desenvolve bastante levando os personagens principais a guerra e também aos conflitos políticos entre as nações.

    Você disse que obra não explora o lado psicológico? Só se for nos primeiros cap… a obra trabalha muito bem o lado estratégico que envolve a moral e o psicológico dos soldados peleando..

    Horrores da guerra? Bah oque é isso comparado a beleza do lado estratégico do campo de batalha.

    • Nessa mudança de cenário, percebi que o autor tem uma boa visão de gunka no Balzer e soube explorar o cenário que começava a ficar saturado preso a academia e só tenderia a piorar (veja bem, era necessário desenvolver a relação do major Bernd com Baselland pra começar as suspeitas de traição e ter um plot pra se trabalhar, mas acho que se estendeu um pouco demais)
      A obra tem uma leve melhora no desenvolvimento da questão psicológica dos soldados até agora, mas muito pouca.
      (SPOILER) O autor preza muito mais os conflitos armados e políticos do que expressa a psique de alguém ao matar outra pessoa, um vomito foi o máximo que ele soube colocar. Em nenhum momento foi questionado, e pior nem foi contra um inimigo e sim contra manifestantes, e eu entendi que dentro da proposta da obra, ele não seguiria por este caminho e isto parou de me incomodar, mas minha primeira impressão sobre o assunto foi essa e decidi manter.
      Questões estratégicas podem e devem ser trabalhadas e há beleza nisso, só não precisa mascarar o horror da guerra, incluísse os dois e teria uma história mais madura, tanto na arte quanto está no enredo. Há uma transição entre o segundo e o terceiro volume, onde os temas são tratados de forma mais séria, embora mantenha um traço muito suavizado, diminuindo a sensação que eu tinha que o autor engrandece as forças armadas e esquece o lado humano. (SPOILER)
      Eu indiquei a obra porque ela realmente melhora bastante e acaba valendo a pena, porque sinceramente o primeiro volume é bom, mas não a ponto de indica-lo a vocês. Obg pelo coments.

      • Você disse que o autor não soube expressar adequadamente o impacto psicológico que uma pessoa sente ao matar outra. Entenda, eles são soldados, foram treinados para matar, para um verdadeiro soldado matar um inimigo no campo de batalha não é a mesma coisa que assassinar outro ser humano, os poucos soldados que pensam assim provavelmente estão enquadrados naqueles 20% de homens que o Major disse que tem mais medo de matar do que de serem mortos.

        E por fim, o objetivo da obra é passar ao leitor uma visão mais fria e calculista do ponto de vista militar da guerra (o Major Balzer é a personificação disso), os horrores da guerra estão em segundo plano aqui. Nem sei porque você acha que é tão importante mostrar a crueldade do campo de batalha para a obra ser boa, esse não é o foco aqui.

        • E continuo afirmando que ele não soube expressar a psique dos personagens. Se você ver bem no início do mangá, temos o Major Balzer contestando se esses soldados estão realmente sendo treinados para serem soldados, e outra, o primeiro “inimigo” deles, são manifestantes, ou seja, civis (possíveis conhecidos e familiares) que deveriam ser protegidos com o uso de força moderada, evitando mortes. Eu contestei nesse sentido, e o autor poderia ter feito um gancho magnífico do ponto de vista ético e humano da questão, e não fez, mesmo sendo um mangá seinen e com possibilidade de trabalhar isso de forma madura.
          E como esse é um primeiras impressões, ao ler a sinopse da obra e começar a lê-la, a primeira impressão foi o que descrevi nesse texto, de algo que a primeira vista não sabia se caminhava para o lado humano ou estratégico da guerra, ou ambos.
          E eu não disse que era necessário ter crueldade no campo de batalha para a obra ser boa, e sim argumentei que pela realidade, uma guerra é cruel e acho que nós espectadores deveríamos sim saber de forma crua o funcionamento de uma guerra, para talvez repensarmos sobre isso (para mim, além do papel de entretenimento, a maioria das minhas leituras precisam me trazer um lado social, filosófico, que me faça pensar ou refletir sobre algum assunto ou ao menos me emocionar, diferentemente da maioria das pessoas desse meio, li poucos mangás e HQs, e me detive naquelas que chamavam a atenção de alguma forma).
          A obra é boa e poderia ser melhor se arriscasse mais, e se você perceber, no meu comentário anterior que você respondeu, eu afirmo que o foco da obra não é o lado humano e que já não incomoda mais, pois entendi a proposta da obra. Obg pelo coments, com argumentação, o mais importante.

  3. Pingback: Primeiras impressões – Gangsta | Ecchi Must Die!

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