Melhores Álbuns – 1º Semestre 2014

É isso mesmo! Depois de muito tempo, música volta a ser tema de um post no EMD!

Desde a saída do Snorlax, nós havíamos decidido parar com os posts sobre música, por ser um conteúdo muito distante do que comentamos e porque ninguém estava interessado em escrever sobre isso, mas com a recente expansão do conteúdo do site e interesse de vocês leitores, eu o Umpa Lumpa do EMD resolvi voltar a comentar de música.

Sempre  fui um aficionado por música, mas nunca tive grande interesse em comentar sobre o tema aqui no site. Mas recentemente eu pensei que poderia ser interessante um post sobre os melhores álbuns que eu estava escutando. Então antes de qualquer coisa, esse post não tem nenhuma conexão com os que foram feitos pelo Snorlax, e acima de tudo esse post representa somente a minha opinião e não reflete a opinião dos outros integrantes do grupo.

Record-Album-02

Dito isto, eu primeiro devo deixar claro meu gosto musical. Afinal de contas, apesar de eu adorar musica e escutar qualquer coisa, eu não gosto de qualquer tipo de música. Tenho um gosto musical bem definido e possuo minhas preferências, por isso muitos dos álbuns aclamados pela critica não estarão presentes neste post, independente de serem álbuns excelentes, se eu não conseguir escutá-los eles não entrarão na minha lista de “melhores”.

A parada é a seguinte, eu curto mesmo um rock’n roll e todos os seus derivados, jazz e blues são os estilos musicais que eu mais admiro, respeito pacas musica brasileira e acho funk e soul muito loko. Mas não sou muito chegado nessas musicas que a galerinha curte, acho pop um saco, noise e black metal na maioria pra mim é barulho, eletrônico me irrita, e experimental cheio de “barulhinho” me da sono. Além disso, eu sou mais um daqueles músicos babacas metido a entendedor.

Então vamos aos Melhores Álbuns do 1º Semestre de 2014.

Pra começar aqui vão alguns álbuns que eu gostei bastante, mas que não entram para a lista de Melhores, apesar de eu ter adorado eles. Então aqui estão eles com apenas uns comentários resumidos.

Gotthard – Bang

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Eu sou suspeito pra falar de Gotthard, eu gosto bastante do  trabalho da  banda e eu não deixei de gostar desse álbum.  Sinceramente é mais do  mesmo, mais do Gotthard com mais clichês musicais. Mas puta merda,  eu escutei mais esse álbum do que muitos dos outros considerados Melhores dessa lista.

 

Epica – The Quantum Enigma

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Nunca fui muito chegado em Epica, mas dessa vez eles lançaram  um disco que me pegou. A precisão e refinamento que a banda  apresentou neste CD são dignos de nota. Músicas muito bem  estruturadas, viradas excelentes. Os vocais de Simone Simons estão  mais afinados do que nunca, além do quê ela continua gata pra  caralho. Inclusive a banda vale só por ela, puta merda que ruiva  da hora.

 

Jack White – Lazaretto

Jack-White-Lazaretto

Esse é outro cara que eu sou suspeito pra falar. Sempre achei o  trabalho de Jack White incrível, sendo que pra mim ele é um  guitarrista muito pouco valorizado. Acho que existem poucos  caras tão bons quanto ele no mundo hoje. E esse álbum pra  mim mostra bastante disso. Livre em um álbum solo, dá pra perceber  todas as influências de Jack, com uma perna no country e outra  no blues, ele como sempre arrebenta com riffs diferenciados e  experimentações de tonalidades, inclusive com uma guitarra que tem os tons todos trocados, mas que ainda assim ele faz sair um som incrível.

Zappa/Mothers – Roxy by Proxy

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O que falar sobre Frank Zappa, o cara é simplesmente incrível.  Para mim um dos maiores nomes do Rock e um gênio da música,  mais um álbum do cara com o Mothers, um álbum excelente  extremamente bem feito, que apesar de não ser revolucionário, como outros álbuns do Zappa é bom o bastante pra ser escutado  repetidas vezes.

 

 

Melhores Albuns 1º Semestre 2014

 

20º Beck – Morning Phase

 

Não, eu não estou falando do mangá, muito menos do anime e nem dos Beat Crusaders, mas sim do cantor, compositor e multi-instrumentista de folk, Beck.

Beck tem uma quantidade razoável de álbuns e devo dizer que esse não chega a ser o melhor deles, mas ainda assim um ótimo álbum, principalmente quando percebemos o quanto Beck se concentra na qualidade da capitação de seus instrumentos.

Hoje, com tanta tecnologia é difícil ver álbuns que se concentram na forma padrão de se gravar e devo dizer que neste quesito Morning Phase não decepciona, a pureza no som do violão que dita praticamente todas as faixas do álbum é digna de nota. Ele busca pela simplicidade, batidas simples em arranjos bem bolados, a voz e o violão são o bastante para passar a mensagem.

As letras apesar de bem feitas, se destacam pelo seu refrão. Sempre claros e reforçados pelo leve reverb colocado na voz de Beck, que sempre são marcadas pelas batidas secas no violão de aço.

Com uma instrumentação simples e estruturada nos moldes clássicos do folk, trazendo leve influências do country como a aparição do banjo, trazendo um vocal claro e bem marcado por parte de Beck, com certeza um dos melhores do ano, apesar de pecar no quesito originalidade.

 

19º Sun Kill Moon – Benji

 

E para a surpresa de muitos Sun Kill Moon aparece como um dos últimos na lista de “melhores”. Esse que é provavelmente um dos álbuns mais aclamados do ano, sendo adorado pela crítica e amado pelos hipster pseudo cult.

Mas pra mim ele foi só mais um ótimo álbum.

Claro que eu entendo o porque de terem adorado este álbum, mas honestamente eu não vejo o porquê disso tornar ele tão incrível, porque ele não se difere muito de tantos outros álbuns que eu escuto no meio do indie, indie-folk e folk.

Acho que a comparação básica será com o álbum de Beck, que segue a mesma lógica e se põe no mesmo estilo. E ao comparar os dois, veremos uma clara diferença no que faz esse álbum ficar em uma posição superior, ele busca originalidade. O vocal não se prende unicamente a compor, Mark se foca muito mais em passar sua mensagem, fazendo com que seus vocais pareçam diversas vezes focadas em interpretar as emoções presentes em suas letras.

E isso tudo se traduz no fato de que as letras presentes no álbum acabam por falar de todos os detalhes de uma história, de como seu dia está chato e ele vai tomar café sem saber o que fazer. Isso é bem interessante, tendo em conta que ele coloca na mesa uma forma não muito comum de narrativa para a musica folk.

E é claro que as experiências de Mark e o contexto de suas letras emocionam e muito, mas o preço por trazer um conteúdo tão “cru”, é o fato de que ele peca em musicalidade, porque por diversos momentos é difícil digerir a informação em uma composição tão fria e linear.

Por isso tudo, apesar de ser um álbum muito interessante e muito bem estruturado, ele acaba por não ser tão agradável. Mais ainda é ótimo, escutem.

 

18º Titãs – Nheengatu

 

Sim rock brazuca também está na lista!

Titãs é um dos maiores nomes do rock brasileiro, mas a um bom tempo não apresenta mais o rock que eu tanto gosto, trazendo uma sequência de álbuns sem vida e expressão, fazendo o bom e velho “Paralamas”, mas parece que eles se tocaram de que ainda é tempo de lutar, é tempo de guerra!

A primeira coisa é comentar o nome do álbum, o troço difícil de pronunciar, mas tem lá seu sentido, tendo em vista que essa é a denominação da língua Tupi, o “Tupi Moderno”. Uma língua que antes foi usada para se comunicar com os índios e que agora se vê praticamente morta sendo falada somente por cerca de 8 mil pessoas.

E talvez seja esse o objetivo do álbum Nheengatu, que traz consigo uma trilha sonora que a muito não é falada pelo brasileiro, uma forma que antes foi fundamental para a criação de algo e que hoje nem ao menos é reconhecida.

Os Titãs então trazem em seu novo álbum, o rock como a muito tempo eu não via ser feito. Guitarras pesadas e distorcidas, cheio de viradas em uma bateria que soa seca. Trazendo letras que mais parecem um dos clássicos contra a ditadura, mas que parecem funcionar de maneira ainda melhor hoje, em tempos onde a população é totalmente cegada pela mídia e oprimida pela ignorância.

Os Titãs voltaram e voltaram com um puta rock’n roll!!!

 

17º Lee Fields & The Expressions  – Emma Jean

 

Acho que para descrever essa álbum, eu poderia dizer que ele é o Victim of Love deste ano.

Claro que não tão brilhante quanto o álbum de Cherles Bredley, mas no que diz respeito ao funk e soul, ele continua sendo um álbum muito significante. Muitos dizem que a música está morrendo e que não se fazem músicos como antigamente. Só que na minha visão os grandes músicos não estão na mídia, mas ainda existem.

Lee Filelds coloca neste álbum tudo o que é necessário pra fazer soul music. Se prendendo aos padrões ele cria algo único, e sendo clichê ele entrega o que promete, sim é mais um álbum que não se destaca, mas é um álbum necessário.

Música de qualidade, feita com muita dedicação e delicadeza, Funk e Soul como eu gosto, sem falhas sem tentar ser “diferente”, na pureza do vocal rouco, percebe-se o quão único esse álbum é.

Não é genial, mas é excelente.

 

16º Atomic Ape – Swarm

 

Um álbum de Jazz com um nome muito loko, sério Atomic Ape é um nome muito maneiro.

Jazz é aquela coisa, sempre preciso e bem arquitetado, o ápice da música. Mas em Swarm nós temos uma macaco atômico no meio de tudo. Sujeira e notas soltas, ritmos misturados, guitarras soando no começo de um jazz, música que mais parece indiana se tornando um clássico da década de 30. Solos que seguem as escalas de forma milimétrica em arranjos que culminam no estouro da trilha sonora de um filme.

É tanta coisa para um álbum de jazz, que na moral merece o posição só por isso.

 

15º Pat Metheny Unity Group – Kin

 

Se Atomic Ape é um álbum de jazz um tanto “diferente”, Kin é o contrário.

Pat Metheny segue a cartilha a risca, o  jazz colocado em um pedestal e adorado. Em Kin até mesmo o soar dos pratos parece contado, e que pratos que soam durante o disco inteiro, elementos colocados de forma precisa, todas as partes parecem se juntar em algo ainda maior.

Elementos que parecem agir de forma separada, mas só parece. Tudo é colocado da forma mais simples e mais perfeita, é jazz como deve ser feito, é aquele tipo de jazz que você vai escutar seguidamente sem se entediar.

É como a capa do álbum, todos os pedaços juntos formando um rosto, em Kin eles forma Jazz.

 

14º Insomnium – Shadows of The Dying Sun

 

Eu havia dito que não gosto de death metal, mas Insomnium é mais que isso, é melodic death metal. E é exatamente o melódico que me faz gostar desse álbum, isso porque o death metal parece estar em segundo plano.

O principal fator para isso é que o vocal gutural aparece mais como um complemento, agindo como uma guitarra suja acompanhando os limpos e bem executados acordes da guitarra principal. Guitarra essa que apresenta riffs simplesmente sensacionais, pequenos bends em meio a solos bem balanceados a bateria.

Existe neste álbum algo que para mim diferencia Insomnium da maioria das bandas de death metal, que é a preocupação com a técnica. Eles seguem a cartilha a risca, não se prendem ao sujo e distorcido, procurando deixar as notas sempre claras, e mesmo as palhetadas rápidas não agridem os ouvidos, que podem experienciar a entrada do violão acústico em musicas como Ephemeral.

Acho valido dizer que Insomnium é mais uma banda para se juntar a Kvelartak, no grupo de bandas que sabe como usar o estilo que elas representam.

Musicas rápidas, acordes limpos, riffs que grudam, um vocal extremamente bem colocado, e composições complexas que se fazem parecer simples, e sendo honesto é um dos melhores álbuns de metal que eu escutei nos últimos três anos.

 

13º The Soundcarriers – Entropicalia

 

Olha lá, não é que até musica pop entrou na parada.

Calma lá! isso não parece nem um pouco pop.

Sim eu sei, porque na real Soundcarriers é um grupo de psicodélico, ou melhor, pop-psicodélico. Ou seja, um psicodélico que as pessoas “normais” conseguem entender.

Acho que se você quiser voltar no tempo e aproveitar um estilo que hoje em dia não funciona você deveria escutar esse álbum. Já que trás consigo tudo o que um dia foi os anos 60, com fortes influências do soul, carregados com arranjos folk, que se misturam a um vocal, ou melhor um coro vocal.

A vibe gerada por esse álbum é algo indescritível, a psicodelia é notável assim como os bits e as batidas bem marcadas pelos “batuques” de Adam Cann. Um estilo que eu nunca engoli, mas que moldado por um novo grupo, me faz entender melhor os objetivos dessa psicodelia.

 

12º The Souljazz Orchestra – Inner Fire

 

 

Eu pensei bastante em colocar esse álbum nas lista dos melhores,  mas disco de jazz nunca é demais. Acho que o que mais me agrada nesse disco é a mistura do jazz com o soul e principalmente os ritmos africanos. O principal está na união dos estilos e na  profusão das formas. É difícil enquadrar tantos aspectos musicais  sem querer parecer uma grande palhaçada, porque é o que  bandas como o Dream Theter fazem. Parecem mais um carnaval de sons, querendo aparecer e mostrar que eles sabem misturar a coisas. Mas Inner Fire é um álbum que respeita todos os estilos e cria uma aura própria.

Esse álbum possui um clima, chega a parecer a soundtrack de um filme. O detalhe das harpas armonizando com o soar dos pratos, enquanto os saxofones fritam. Em certos pontos ele fala com você, através de pequenas onomatopeias que entram ao final dos bridges. Em certos pontos, ele se faz de álbum de rap, e no final se compõe como valsa.

Mais uma brilhante criação da Souljaz Orchestra.

 

11º Timber Timbre – Hot Dreams

 

A frieza que faltou em Sun Kil Moon e a originalidade que eu pedi para Beck.

Timber Timbre me lembra Bill Calahan, com um álbum calmo e suave. Letras marcantes e um vocal quase que o de um narrador por parte de Taylor Kirk, arranjos complexos por parte um Grupo canadense composto por apenas três pessoas.

O teclado dita parte do álbum e cria uma aura quase que espiritual para a banda, que trás em meio a tanta calma e paixão musicas como Curtains!?, que distorcem e mudam mexendo com o ouvinte, que se vê imerso no universo criado por Timber Timbre.

E se você começar a escutar esse álbum e por um segundo acreditar que ele será depressivo ou mesmo chato, você se surpreenderá pela entrada de elementos como um sax e de rifs de guitarra em escala de Dó em meio a uma musica em Fm que mais parece experimental.

Acho que Timber Timbre conseguiu, Hot Dreams é como entrar em um sonho.

 

10º The War on Drugs – Lost in The Dream

 

Saindo de um sonho pra se perder em outro. Tá, eu sei que essa minha brincadeira com os nomes deve encher o saco, mas me deixem ser feliz.

Mas não se preocupem, dessa vez eu serei rápido porque estou sem saco pra escrever.

Esse é o Kurt Vile desse ano, é aquele álbum de folk, indie-folk, que te trás uma bela de uma brisa, é aquele álbum que você apenas gosta, perdido em um sonho.

Serio até eu achei esse trocadilho uma bosta, parei por aqui, vai pro próximo.

 

9º Wovenhand – Refractory Obdurate

 

Refractory Obdurate é um álbum surpreendente, o que seria mais um álbum de folk-rock em uma lista tão grande, veio como uma bomba.

Rock, Country-rock, alternativo, Folk-rock e psicodélico, tudo junto se tornando uma peça única por parte de Wovenhand. Todos esses gêneros, tantos sons diferentes, direcionados pelo vocal monstruoso do multi-instrumentista David Eugene.

Seriamente esse álbum é tanta coisa, tantos detalhes e tanta transgressão que fazem com que eu pense que Refractory Obdurate é na verdade uma álbum de rock.

Músicas que beiram o alternativo, um vocal estrondoso, uma bateria pesada, com uma guitarra rápida cheia de power chords. Acho que ainda tem gente tentando fazer rock a sua maneira, e eu admiro isso no Wovenhand.

 

8º Wilko Johnson/Roger Daltrey – Going Back Home

 

E falando de Rock’n Roll, uma das lendas do rock vem a lançar mais um álbum.

Esse é um dos álbuns que eu mais escutei até o momento, eu adoro esse álbum e escuto ele de forma compulsiva, e só por isso eu já colocaria ele nessa lista.

Mas claro que não é só por isso que ele está aqui, Roger Daltrey, ex vocalista do lendário The Who, juntamente com Wilko Johnson (um dos maiores guitarristas do seu tempo, mas que por alguma razão não ganhou conhecimento devido), se juntam para fazer o que o próprio álbum fala, voltar para casa.

Se os Titãs voltaram com seu rock brazuca, Roger Daltrey e Wilko voltaram com o puro rock, trazendo consigo um pouco de história. Sério se você gosta do estilo tanto quanto eu, você vai adorar esse álbum.

Roger no vocal soa mítico, eu possuo poucas palavras pra descrever os vocais apresentados nesse disco. Wilko então nem se fala, o blues-country que ele apresenta chega a arrepiar. Não tem erro é só juntar dois gênios e pronto.

Rock’n roll no seu melhor.

 

7º Sharon Jones and the Dap-Kings – Give the People What They Want

 

Soul music é uma parada muito loka, se eu achei que Lee Fields & The Expressions trouxeram isso, Sharom Jones vai fazer você achar que eles não são nada.

O que falar de Sharon? Não tenho medo de dizer que ela é, certamente a melhor vocal de toda essa lista. A potência vocal e a extensão que ela alcança chegam a ser surpreendentes.

Quando você escuta esse álbum é de fazer cerrar os punhos e gritar, tamanha a expressão presente nos vocais de Sharon, e como se não fosse o bastante, eles são acompanhados por uma banda que merece o titulo de “Kings”.

Quer saber?! Pegue Lee Fields & The Expressions e multiplique por 10 e adicione um vocal arrebatador e é isso que esse álbum faz. Era isso que eu queria, o título do álbum não mente, você quer e você precisa desse álbum.

 

6º Toumani & Sidiki – Toumani & Sidiki

 

Em meio a tantas experiências musicais, tantos computadores e efeitos, tantos barulhos de estática e auto-tunes,  Toumani & Sidiki trazem algo realmente diferente. Desculpem-me, mas computadores não fazem música. Em meio a tanta gente achando que é alguma coisa, tem cara que está realmente fazendo algo diferente no ramo musical.

Toumani & Sidiki trazem instrumentos que eu nem sei o nome, trazem musica africana em um estilo que eu tenho medo de qualificar de forma errônea. A grande diferença aqui neste álbum se dá pela precisão cirúrgica no que diz respeito a tocar um instrumento musical.

Sendo bem honesto se você quer saber a minha real opinião, escute esse disco e se no final você não gostar, tem algo de errado com você.

 

5º David Crosby – Croz

 

Finalmente chegando nos cinco primeiros!

E antes de qualquer coisa, eu devo dizer que para os cinco primeiros colocados, mais do que a qualidade do álbum, está o meu gosto pessoal. Esses são os álbuns que eu mais escutei neste ano e isso somado a qualidade deles, fizeram com que eles ficassem entre os cinco primeiros.

Acho que de todos os álbuns folk, ou com influências de folk, Croz é o que melhor faz uso do estilo. Acho que tudo se deve a experiência do senhor David Crosby, que traz em Croz, da pureza do vocal deste senhor, até o refinamento dos instrumentos que compões as músicas desse disco.

Acho que a melhor forma de descrever esse álbum, é pegar a melhor das características dos álbuns folk que eu citei e juntá-las, então você terá o que para mim é o melhor álbum dentro de seu estilo neste ano.

 

4º FEM Prog Band – Sulla Bolla di Sapone

 

Rock progressivo, e não tem duas horas de solo!

Primeiro é uma banda italiana, e não é estranho de ouvir os vocais, na verdade esse é uma das melhores características do álbum.

Eu mesmo estava meio receoso ao saber que se tratava de uma banda italiana de rock progressivo, mas logo na primeira música do disco eu já estava de boca aberta. Como as letras em italiano soam tão bem com o progressivo apresentado por FEM e chega a ser difícil de acreditar, principalmente quando Massimo Sabbatini aparece com suas vocalizações estrondosas.

FEM parece um evento, em Sulla Bolla di Sapone, eles apresentam rock progressivo como a muito tempo eu não escutava, talvez porque a maioria se preocupem em ser progressivos demais, ou achem que por fazer parte de um gênero são tão relevantes quanto o Pink Floyd. E  tendo em vista isso, FEM parece muito mais querer fazer boa música.

Ao contrário da maioria dos CDs de progressivo, Sulla Bolla di Sapone não soa chato em nenhum momento. As músicas não são intermináveis, ou apresentam grandes pausas de minutos apenas com um instrumento, pra se ter uma ideia a maior musica desse álbum tem apenas seis minutos. Aqui a preocupação com o ritmo parece algo até mesmo assustador, a forma com a qual as frases do baixo criam uma expectativa colossal, e como o teclado e o sintetizador aparecem na linha de frente da banda, chega a ser surpreendente.

E sabe aqueles longos solos e momentos em que o rock progressivo chega a irritar, em Sulla Bolla di Sapone eles funcionam de maneira excepcional. Apenas a guitarra ganha real destaque, e tudo parece ser construído de forma a aumentar ainda mais o impacto dos vocais. E todo esse arranjo feito pela banda faz com que todas as músicas se unam em algo maior. Eu nem cheguei a perceber a mudança das faixas enquanto ouvia o álbum pela primeira vez.

Mas cuidado! Esse álbum te fará gritar MICROGEM de forma alucinada.

E sendo bem honesto essa é uma das melhores bandas de progressivo que eu escutei nos últimos anos, que acaba de ganhar mais um fã.

Ps: A musica Consapevolezza me lembrou muito a trilha do Digimon.

 

3º Drive by Trukers – English Oceans

 

O que falar de Drive by Trukers, essa que é uma das melhores bandas da atualidade e que em tão pouco tempo se tornou uma das minhas favoritas.

Eu estava ansioso por esse álbum e fico feliz em dizer que não me decepcionei nem um pouco, principalmente porque Drive by Trukers trouxe em English Oceans mais do que eu imaginei, eles fizeram diferente fazendo o mesmo.

E isso vindo de uma banda que representa um estilo de muito pouca visibilidade, Southern Rock e country-rock. Sim uma das melhores bandas da atualidade na minha opinião toca country. Mas não se engane se você é fã de rock você vai gostar desse álbum, assim como se você for um fã de country, ou de qualquer outra coisa. Porque Drive by Trukers faz música e música boa.

Inicialmente eu pensei que esse álbum estava estranho, havia um ruído de fundo e o som se distorcia levemente, mas após escutar o CD inteiro eu me dei conta do objetivo da banda. Eles apresentam musica de uma forma natural, sem tratamentos sonoros ou coisas do gênero, música pura assim como ela é concebida. É como diz o título da primeira musica “shit shots count”, ou seja, até essas músicas contam, sejam elas produzidas em um estúdio, ou não. O que é bem interessante já que o próprio Mike Cooley vocalista/guitarrista declarou que English Oceans era a volta deles ao “simples”.

E quando se fala da volta a algum lugar, esse disco me lembra também da volta ao rock britânico dos anos 60, até porque os vocais em English Oceans lembram e muito os de Mick Jegger nos Rolling Stones, assim como as guitarras com distorções simples e batidas ainda mais simples. E se você juntar isso com o forte country presente na banda, assim como a experiência que eles já adquiriram com os anos, não tem erro esse é de certeza um dos melhores álbuns da banda.

Eu esperei por um country muito forte nesse álbum, e ai a banda volta as raízes e traz consigo toda a qualidade do rock britânico, e eu só posso agradecer por ainda existir uma banda assim nesse mundo.

 

2º BADBADNOTGOOOD – III

 

E por pouco um álbum de Jazz não foi o primeiro da lista.

Apesar de que o que mais me chamou atenção neste álbum não foi o jazz propriamente dito, mas o fato de o jazz conseguir se aproximar tanto do eletrônico. Ou melhor fazer a mesma experimentação do eletrônico, mas com jazz, ou seja, sendo melhor.

Em meio aos sons eletrônicos é possível escutar a base feita de forma clássica, com uma bateria e um baixo, e quando falamos do clássico percebemos o quão impressionante é a relação feita por BBNG, que apresenta em diversos momentos jazz como costumamos ouvir em álbuns como Kin, mas traz consigo toda a ideia de experimentação e viagem do eletrônico, assim como a forte presença de batidas bem marcadas de hip-hop.

Mas existe um algo a mais. Esse álbum surpreende quando você pensa que ele seguirá por uma linha. O baixo começa a soar diferente e a correr mais rápido, a música muda de levada e se acelera de forma intensa, não é mais jazz, nem eletrônico é uma corrida por algo, e do nada a música volta, como na música Kaleidoscope . É o tipo de música que não se limita a precisão ou complexidade na sua construção, não que BBNG não seja bom nisso. Eles são incríveis quando falamos de termos técnicos, mas a busca por algo a mais parece estar presente de forma real nesse álbum.

Foi sim criado algo diferente, dentre tantos grupos de jazz fenomenais e tantas pessoas buscando “inovar”, BBNG em III trouxe algo a mais, eles criaram uma forma, não se limitaram a um determinado gênero, assim como não desistiram da música em busca de algo “diferente”.

No final eles fizeram um álbum completo, através da precisa utilização do jazz e da inquietude juvenil por mudança. Eles criaram uma álbum simplesmente sensacional.

 

1º Juçara Marçal – Encarnado

 

Vocês não se enganaram, o melhor álbum desse ano em minha opinião é brasileiro.

Juçara Marçal é uma cantora com cerca de 20 anos de carreira que apesar de participar de vários grupos e diversos projetos, que vão do samba até o rap, ela vem a lançar seu primeiro álbum só agora.

E eu não sei se esperar tanto tempo fez diferença, o que eu sei é que ela conseguiu fazer algo fenomenal no trabalho em Encarnado. Apesar de que o crédito não se deve exclusivamente a Juçara, já que o álbum tem a participação de diversos compositores diferentes, entre eles o maior destaque vai para o brilhante Tom Zé.

Mas independente disso, em Encarnado existe algo especial. Neste álbum as letras e a voz são o destaque como a própria Juçara disse “esse é um disco sobre canções”. O que apesar de correto diminui um pouco da genialidade que eu vejo nas musicas deste CD como um todo. Da união do samba com a bossa e o jazz, até os elementos distintos como o soar estridente de uma guitarra que destoa, ou melhor, que responde a voz da cantora. Em Encarnado a voz de Juçara Marçal se faz de guitarra, de baixo, de bateria e até de sax. Sua voz toma forma, compõe e cria.

Existem diversas cantoras brilhantes, como Sharon Jones que eu citei neste post, mas poucas sabem usar sua voz como Juçara que se mostra simplesmente genial. É como se a música não fosse fantástica por si só, as letras presentes nesse disco apresentam mensagens simplesmente fenomenais, falando sobre a morte, o aborto, prisões, guerra e tantos outros temas que se relacionam principalmente a morte.

Entre tanto lixo que existe hoje em dia na música brasileira, eu me deparo com algo como esse álbum, que para mim é um dos melhores álbuns do ano. Sim, ainda existe salvação para a música brasileira.

Por isso eu não tenho medo de dizer, que por tudo que eu disse Encarnado é o melhor álbum de 2014.

Pelo menos por enquanto.

E por incrível que parece ele é distribuído de forma gratuita, por isso se vocês quiserem o álbum é só acessar esse link.

Pink Floyd cat

Então é isso! Sei que o post ficou grande, mas eu tentei meu melhor pra resumir minhas opiniões.

Espero que tenham gostado, e se quiserem mais posts sobre música é só pedir nos comentários.

Obrigado a todos e até a próxima!!!!

5 pensamentos sobre “Melhores Álbuns – 1º Semestre 2014

  1. Pingback: EMD Cast #158: Review – Solanin | Ecchi Must Die!

  2. Grande? Ele ficou enorme. Mas ficou legal. Vou aproveitar muitas bandas de jazz que não conhecia, e ainda faltam alguns para eu olhar com mais atenção. Só acho que o álbum do Titãs ficou muito melhor que o dessa Juçara Marcial (baseando-me pela audição de Velho Amarelo) e que merecia o primeiro lugar.
    No mais, ótimo post.

    • Olha cara eu entendo perfeitamente você preferir Titãs. Pro melhor que seja (pelo menos em minha opinião) o album da Juçara Marçal, possui uma instrumentação não linear e um estilo que não é muito agradavel pra muitos, eu mesmo a algum tempo atrás não teria achado nada de mais, mas aprendi a gostar.
      Mas também tem aquela, é musica as vezes simplesmente não gostamos de algo eu sofro muito com isso. kkkk
      Ah e mais uma coisa, eu conheço a banda que você citou, em questão de musica brasileira e fazem parte de um estilo que possui pouca gente fazendo parte. Mas eu particularmente não gosto, apesar de ser diferente quanto a musica brasileira, eu particularmente acho “genérico”, mas não acho ruim só não curto.

  3. Pingback: EMD Cast #159: School Days | Ecchi Must Die!

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