Review – Comentando Arcos – Batman – Xamã

Dae pessoal, aqui é o Estupratom e eu ainda sei escrever (depois da psicografia que os revisores precisam fazer)!!!

Os que nos acompanham já devem saber que estamos querendo gravar diversos podcasts Comentando dos arcos da Coleção Oficial de Graphic Novels da Marvel da editora Salvat. Não iremos seguir a ordem cronológica de lançamentos, vamos focar nas franquias. Provavelmente iremos começar com O Espetacular Homem-Aranha, comentando as obras “O Espetacular Homem-Aranha: De volta ao lar” e “O Espetacular Homem-Aranha: A última caçada de Kraven“. Batman Xamã Até que esses casts comecem a ser lançados eu vou comentar de algumas das obras que comprei recentemente. Como iremos falar muito do Universo Marvel ao explorarmos a coleção da Salvat, vou focar esses meu textos em obras da Vertigo e do Universo DC. BatmanXamaHoje eu vou comentar do arco Batman – Xamã, escrito por Dennis O’Neil, famoso escritor responsável por dezenas de histórias do cavaleiro negro, acompanhado por Edward Hannigan e John Beaty, encarregados dos desenhos e da arte-final. A obra foi publicada no Brasil em 1991, com o nome de Batman – Shaman, e foi relançada pela Panini ano passado com o título Batman – Xamã (formato 17 x 26 cm, 136 páginas, R$ 14,90). Mesmo não tendo capa dura, a edição está boa e o preço está formidável. Quinze reais por uma das melhores origens do Batman é um presente. Devido aos incontáveis e insuportáveis reboots e reformulações dos heróis dos quadrinhos, diversos heróis já receberam diversas origens e conclusões. Essa obra não vai trabalhar o que levou o milionário Bruce Wayne a se tornar um vigilante noturno, mas trabalha de forma magnífica seus primeiros dias como vigilante e sua inspiração para criar o amedrontador “Batman“. Essa é a origem do Cavaleiro das Trevas do consagrado Batman – Ano Um.

A trama inicia-se no período de treinamento de Bruce Wayne ao redor do mundo. Durante a caçada a um assassino no Alasca, ele é salvo da morte no gelo por uma tribo local. O xamã executa um ritual de cura, cuja essência é narrar a fábula/lenda de como o Morcego ganhou suas asas. De volta a Gotham, a história cruza a de Ano Um, inclusive reproduzindo alguns quadros desta, e depois acontece um salto temporal, mostrando um Batman já com certa experiência, forçado a encarar um caso que sugere algo sobrenatural, uma série de crimes ritualísticos misteriosos, que envolvem sacrifícios humanos e ligações com o tráfico de drogas em Gotham City. batman 1 Batman – Xamã trabalha características que fogem ao padrão da franquia, mesclando misticismo e seitas religiosas. Tal abordagem poderia ser um tiro no pé, mas ela acabou trazendo um lado emocional que eu nunca havia presenciado no Cavaleiro das  Trevas. O ceticismo mesclado com dúvida e insegurança constroem uma motivação magnífica para esse complexo personagem. A arte de Edward Hannigan e John Beaty me agradou bastante. Mesmo tendo anatomia e dinâmicas de quadros simples, a utilização de sombras e de cores mesclou perfeitamente com a abordagem sombria do vigilante e suas as dúvidas e inseguranças como Bruce Wayne e com o misticismo tribal apresentado na obra. As cenas na neve e no subúrbio me chamaram bastante atenção, conseguindo dar colorações dramáticas, até mesmo para algo calmo e “pacífico” como a neve. As cores chapadas utilizadas para representar os cenários e personagens também me surpreenderam positivamente.

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Legends Of The Dark Knight 16Cada um dos cinco capítulos tem uma contracapa excepcional, onde cada um delas faz referência direta ao misticismo apresentado no início da obra e a evolução do protagonista. Essas imagens conseguiam prender minha atenção a leitura ao final de cada capítulo, impedindo-me de cessá-la. Uma das características que mais me agradaram nesse arco foi o desenrolar das pistas, do mistério, e principalmente, da investigação. Originalmente uma das principais características do personagem eram sua investigações criminais, demonstrado em sua origem com os quadrinhos da época sendo chamados de Detective Comics. A forma como as pistas são lentamente apresentadas na obra, sendo concluídas com um desfecho equilibrado e despretensioso, e não apelando para desnecessários plot twists ou para grandes vilões e conspirações, foram pontos fortes a se destacar.

Mais do que a origem de um maníaco que gosta de sair de noite batendo em marginais, presenciamos a origem de um detetive infalível, que ainda tem dúvidas e inseguranças. Prefiro de longe a origem que é apresentada em Xamã do que a tradicional onde toda sua vida é guiada por uma promessa inabalável feita por uma criança mimada de oito anos. Nessa versão ele chega ao ponto de desistir da ideia de ser um vigilante por sofrer uma derrota, o que revela insegurança e trabalha sua arrogância juvenil. batman 2 O único ponto que me desagrada nesse arco é a insinuação de que o “destino” levou o Bruce Wayne ao caminho do morcego justiceiro. A história chega a insinuar que “forças fora de nosso alcance” guiam o traumatizado Bruce Wayne para esse caminho, como se o sobrenatural o acompanhasse. Como eu comentei anteriormente, isso funciona muito bem para o desenrolar da obra, mas acabou forçando um pouco a barra em sua conclusão. Em minha humilde opinião, prefiro ver o Batman como alguém que se recusa a acreditar no destino, onde tudo são escolhas e nada é predestinado. Legends Of The Dark Knight 26 Concluindo, Batman – Xamã não é uma compra inestimável, mas você poderá se arrepender caso perca a oportunidade de adquiri-la. Sem a menor sombra de dúvidas, esse é um bom arco e tem um ótimo preço. Um ponto forte é que o enredo está desprendido dos confusos reboots que a DC fez em seu universo atual, e é uma leitura que pode ser completamente aproveitada e entendida mesmo se você nunca leu nenhum dos quadrinhos do Cavaleiro das Trevas antes. Espero que vocês tenham gostado do texto, deem o feedback de vocês dizendo o que acharam e o que desejam que eu comente nos próximos textos. Estou totalmente aberto a sugestões, mas a obra precisa ter sido serializada no Brasil. PS: Não tentem baixar na internet, as scans são da edição antiga e a qualidade está muito inferior.  

2 pensamentos sobre “Review – Comentando Arcos – Batman – Xamã

  1. O misticismo exagerado no final da obra é falho principalmente por causa do último quadro, em que simbolicamente, pode subentender-se que o Batman levaria a “doença” que ele presenciou para o “ninho de abutre” (leia-se a “corrupção de Gotham”),o que é uma metáfora muito foda; e é justamente por isso que quero vê-la sendo executada por um Batman guiando pelas suas próprias decisões, e não por “destino”. Também prefiro Xamã Estupra, principalmente pelo seu final (que inclusive, dá para se fazer uma ponta dele com o começo do Cavaleiro das Trevas, já que testemunhamos a falha do morcegão em erradicar o crime de sua cidade).
    Ótima Review, existem várias outras HQs que seriam interessantes de se ver no EMD. Transmetropolitan, V de Vingança, 100 Balas, Maus, Os Invisíveis, Hellblazer – Hábitos Perigosos são alguns dos títulos que logo me vêem a mente (todas foram ou estão sendo publicadas no Brasil) =)

    • Se tudo der certo provavelmente teremos reviews de HQ’s semanalmente aqui no site. Um momendo de Xamã que me incomodou um pouco foram o das balas de festim, você que leu vai entender do que estou falando. Acho que isso forçou um pouco a barra, se fosse apenas uma eu não reclamaria, mas o cartucho inteiro foi um exagero.

      Você leu a edição antiga ou a nova?

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