Comentando Aldnoah Zero – Episódios 1 e 2

Fala galera, aqui é o Rodrigo, o mais novo recruta do EMD, o pessoal do site anda querendo dar uma zoada no meu nome  e me botar um apelido ridículo, mas eu ainda continuo invicto, sem zueras. Venho hoje iniciar o comentando de Aldnoah Zero, um anime que estreou nessa season mais recente. Raramente eu me interesso por animes de mecha, sinceramente apenas assisti pra fazer a season review, mas me surpreendi quando vi uma narrativa bem construída, uma animação de qualidade e muita habilidade de direção.

Aldnoah Zero é um anime sci-fi de mecha, escrito por Gen Urobuchi, mesmo autor de Fate Zero e Black Lagoon. Ele trata de um universo onde Marte foi colonizada por humanos que se estabeleceram lá como um reino, assim existem agora dois planetas habitados no sistema solar. Entretanto os habitantes de Marte não estão contentes em habitar em seus castelos e querem voltar pra Terra, e para isso estão dispostos a utilizar todo o seu poder bélico avançado conta os terráqueos.

EPISÓDIO I

A cena inicial foi uma introdução muito correta, com um clima suave que vai pesando gradualmente e com muitas informações subentendidas, cada elemento tem sua função, e isso é trabalhado de forma interessante, prendendo minha atenção ao episódio.

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O anime deixa claro desde o início o impacto que a posição de nobreza tem no cenário da obra. Suas presenças imponentes, e até mesmo prepotentes em relação aos nativos da Terra, os tornam tão ameaçadores quando suas imensas naves de batalha. É interessante como esse status elevado da nobreza é algo presente apenas na cultura dos extra-terrestres, assim como sua óbvia superioridade tecnológica.  Se analisarmos o cenário por um ponto de vista histórico, podemos ver semelhanças claras com as guerras envolvendo os impérios da Europa e os inferiores Japoneses e recém independentes Estados Unidos. A interminável guerra entre o 1° e 3° mundo.

protO episódio segue mostrando o provável main character da série em um café da manhã com sua superior e irmã. Inicialmente ele não fez nada relevante, provavelmente porque o personagem ainda não foi introduzido a trama central. O que chama  atenção nessa cena é um ponto positivo da narrativa, onde o recurso utilizado para  descrever o cenário da política Terra x Marte foi uma Tv ao fundo,o que mantém a  sua imersão na história e não desgasta a narrativa em um uso excessivo de  narradores. Para reforçar isso a próxima cena continua a se manter sem narrador,  explicando parcialmente a colonização de Marte através de uma menina estudando  em seu smartphone, o resto das explicações se dá por conversas.

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A atmosfera fica mais tensa com a chegada da princesa de marte à Terra. Todas as precauções corriqueiras de segurança foram tomadas, uma pena que o carro não era à prova de mísseis teleguiados. A ideia de transformar a própria princesa em um mártir é algo amplamente utilizado por diversas obras, mas não por ser um clichê, e sim por ser um acontecimento comum em tempos de gurra (cof, cof, 11 de setembro, cof, cof, Tropa de Elite 2, cof, cof).  Dificilmente um enredo iria martirizar um personagem que não temos afeto, levando-me a acreditar que ela sobreviveu ao ataque e que no futuro ela será um personagem essencial para o desenrolar da guerra.

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Durante todo o episódio a trilha sonora e a habilidade da direção ajudaram a tornar tudo muito bom ao assistir. Em todas as cenas de diálogo da princesa, o elemento musical era suave e tocante enquanto ela falava sobre estreitar relações entre a Terra e Marte, tudo isso para fazer o expectador criar uma conexão com a princesa que mais tarde iria sofrer um atentado. As cenas de muita grandeza também recebem músicas a altura, como na cena inicial quando destacam o tamanho da nave simbolizando todo o poderio bélico e tecnológico marciano.

O fechamento do episódio foi seu clímax. A queda da nave puxou completamente minha atenção, fiquei tão surpreso quanto as fatídicas vítimas que estavam na ponte de New Orleans, principalmente por visualizar a ponte em nosso mundo, não tento a cena amenizada pelas comodidades da “ficção”. A trilha sonora foi um dos destaques da cena, poucos segundos após o incidente, o barulho da explosão é substituído por uma música épica, que pela primeira vez não era apenas instrumental. A voz da cantora japonesa ecoava em perfeita sintonia com todos os estragos da explosão.

A falta de censura na cena abriu novas expectativas e possibilidades para o desenvolvimento da série. E para finalizar com qualidade narrativa além do choque da violência, a cena duas crianças inocentemente fazendo pedidos para estrelas cadentes, sem perceber que o pavor da guerra iminente, contrastando com a explosão e o caos mostrado anteriormente. Ótimo encerramento e piloto.

9 11

EPISÓDIO II

O segundo episódio mostra pela primeira vez a abertura do anime. Ela intercala cenas de ação e símbolos se diferenciando dos padrões de abertura clichês onde só aparecem os personagens virando lentamente. A música não se destaca muito, mas é agradável.

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É interessante a estratégia marciana em relação ao contra ataque dos militares da Terra, enquanto é esperado que se ataque aos caças e mechas terráqueos, os alvos foram as centrais de comunicação, fios e satélites. O comando “neutralize-os” foi pertinente, pois a destruição dos militares ficava em segundo plano, quando a preocupação inicial dos extra-terrestres era impedir as tropas de se comunicar. Após essa batalha, iniciou-se a preocupação do anime em enfatizar a soberania marciana em relação a Terra no aspecto militar. Em cada campo de batalha mostrado, os marcianos tinham a situação na palma da mão, utilizando um número muito inferior de mechas para combater esquadrões inteiros.

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Outro ponto que me chamou atenção nesse episódio foi a construção do personagem Trillram. O personagem foi claramente construído para causar raiva no expectador. Com atitudes mimadas, arrogantes e sem misericórdia, ele gerou em mim uma raiva imediata. Seu jeito prepotente era direcionado a todos que na visão dele estavam em baixo na hierarquia. Não somente Slaine, mas também os terroristas enviados a Terra para matar a princesa eram lixos em sua visão. Prova disso foi a cena da morte deles (dos terroristas), onde são assassinados pelo mecha de Trillram de forma repentina, brutal e sem misericórdia.

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No meio disso tudo, merece um adendo aqui o Tenente Marito, que vem sendo indiretamente desenvolvido como um sobrevivente da guerra na Lua, um personagem interessante que pode trazer muita informação a série. Mas não apenas isso, o seu conflito parece ser bem maior. Nas entre cenas da batalha entre a nave marciana e os caças, algo muito peculiar é mostrado. Uma cena rápida onde Marito menciona a batalha de 15 anos atrás, e só de se lembrar dela começa a tremer. Aparentemente Marito sofreu um grande trauma nessa batalha, trauma esse que o impede de desempenhar um bom serviço como piloto de mecha contra os marcianos em alguns momentos. E por alguma razão, os soldados que lutam ao seu lado duvidam que ele tenha algum mérito dessa batalha, provavelmente o medo que o impede de ser um bom piloto hoje, tenha o atormentado também naquela ocasião.

Nas batalhas entre Trillram e os mechas terráqueos a produção que antes estava indo tão bem deu umas mancadas com o CG desnecessário sendo misturado com arte, não foi algo do nível do CG de Berserk, mas ainda assim a produção perdeu pontos nessa batalha. Espero que isso não se repita nas próximas.

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Outro ponto que se não for bem trabalhado será um ponto fraco na obra é a falta de sentimentos do provável protagonista, Inaho. Na cena da fuga, um amigo é morto na frente dele e mesmo assim não há esboço de tristeza espanto ou nada do tipo, apenas um ínfimo choque que passa rapidamente. Esse estilo de personagem como protagonista é muito perigoso, pois isso pode fazer com que não haja conexão entre o expectador e o personagem. Apesar disso, ele pode ter dois caminhos que o farão um bom protagonista ou pelo menos o salvaria de ser uma merda de personagem: Ou ser desenvolvido de forma que o personagem evolua e passe a sentir com as experiências vividas, o que seria o mais indicado, ou utilizar a psicopatia desse protagonista, aliada a inteligência fora do comum, como um símbolo de força para causar um sentimento de conforto ao expectador durante a batalha, o que seria um artifício um pouco complicado de se trabalhar, mas que também seria interessante de se ver.

testando teste

O episódio se encerra de um jeito bem mais pacato que o primeiro, apenas jogando um conflito a ser resolvido para os prováveis protagonistas da obra: Enfrentar o Mecha marciano pilotado por Trillram, que até agora não mostrou fraquezas, nem foi mostrado algum jeito óbvio de derrotá-lo.

Aldnoah Zero estréia trazendo plots interessantes, com uma boa produção, uma boa premissa e é uma das grandes expectativas dessa season. Em relação aos episódios iniciais, eu diria que houve uma pequena queda de qualidade no segundo episódio em relação ao primeiro, mas foi algo bem tênue, o anime ainda tem espaço para muita história, e pra um anime de mecha, gênero que nunca fui muito fã, tem superado expectativas.

Um pensamento sobre “Comentando Aldnoah Zero – Episódios 1 e 2

  1. Contém spoilers, leia por sua conta e risco.
    Os dois episódios foram excelentes pra mim, porém o anime ao decorrer dos episódios perde aquele foco global do ataque marciano e toda aquela coisa de conflitos políticos e se centraliza muito na princesa e seu triângulo amoroso. O Inaho é aquele personagem OverPower fodão clichê dos animes, todos os soldados da terra são inúteis, mas ele não é o único que pensa e sabe lutar. Mas tirando isso é um bom anime. Como são 2 cours ainda espero que as coisas melhorem!

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