Review – Deus Não Está Morto

Dae pessoal, aqui é o Estupratom trazendo um pouco de decepção, ódio e discórdia para alegrar ou piorar o dia de vocês.

Essa review não foi planejada, aconteceu em uma das minhas crises de insônia. Eu decidi assistir algo no Netflix enquanto esperava o bendito Sandman me presentear com sua benevolência. Procurando algo para assistir eu acabei me deparando com um titulo que chamou minha atenção, o chamativo “Deus Não Está Morto“. A sinopse, que pode ser lida logo abaixo, me conquistou a ponto de nem cogitar outras séries e filmes que havia selecionado.

Deus Não está morto

Acompanhado dessa premissa, os primeiros minutos de filme levaram minhas expectativas de forma surpreendente. A introdução nos apresenta a diversos personagens e narrativas: um professor que exige que todos seus alunos reneguem a existência de Deus, um católico dividido entre sua fé  e a famosa comodidade cristã,  uma muçulmana que retira sua burca na faculdade sem o conhecimento de seu pai, um reverendo, um chinês e até mesmo uma repórter ateísta.

Gods-not-dead-186884_nPoucos de vocês devem saber, mas durante minha vida eu sempre tenho ciclos de obsessões pessoais, sendo que a mais conhecida delas aqui no site foi meu empenho em decifrar Evangelion. Em uma das minhas etapas de vida eu me dediquei ao estudo teísta, em busca de entender a pretensão humana de afirmar saber a verdade sobre Deus, seja ela sua vontade, existência ou até mesmo inexistência. Não irei ficar debatendo aqui meu ponto de vista, só quero deixar claro que meus comentários a seguir são imparciais e não  são influenciados pela minha visão taoísta.

Tendo tantos personagens e linhas narrativas, jurei que iria ver um filme que fala de fé de forma geral, não tendo preferencialismos por religiões específicas,  mas em pouco tempo o filme mostra não pretender fazer nada além de uma campanha católica.  O protagonista recebe a oportunidade de defender a existência de Deus durante as aulas, mas se falhasse ele iria zerar em uma avaliação que valeria 30% da nota final. Até este ponto, todo o enredo é acreditável e bem formado, mas ao se iniciar o primeiro debate todo o potencial da proposta é dilacerado.

Todos os argumentos do protagonista não giram em torno de filosofias em prol a fé em um ser onipotente. Todos os seus argumentos são focados em como algumas poucas frases ambíguas da bíblia podem justificar contestações científicas, como por exemplo,  o “Big Bang” é uma referência a ordem de Deus referente ao primeiro dia da criação,  “que haja luz”.

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As discussões subsequentes seguem linhas de raciocínio ainda piores, mas o esforço e dedicação do personagem ao aceitar o desafio do professor acabam convencendo o expectador. Se o favoritismo católico seguisse apenas o protagonista, isso poderia se tornar algo genial, mostrando a fé por diferentes pontos de vista.

Atheism1Quando as narrativas secundárias começam a demonstrar a completa falta de imparcialidade do filme é que o problema se torna incontestável.  A muçulmana é na verdade uma católica em segredo – e diga-se de passagem, uma atriz medíocre – e a religião de seu pai é vista apenas como algo tirano que traz infelicidade. O ateu é completamente demonizado, e até mesmo seu grupo de amigos é retratado como um grupo de narcisistas prepotentes.

Nesse momento, as esperanças que eu tinha em ver um filme imparcial e despretensioso já haviam sido destruídas, mas eu ainda tinha esperanças em um final decente, mas o final acaba sendo pior do que eu esperava. Em seu debate final, a discussão tomou o pior rumo possível,  e infelizmente o mais comum. Em vez de discutir a visão da fé,  o debate final vira uma discussão onde o único subterfúgio que o protagonista tem para defender sua fé é denegrir o ateísta que não concorda com sua visão, cometendo o mesmo erro que seu professor.

kevin-sorboMas como agora o acusador é um seguidor de Jesus Cristo, o professor revela não ser um ateísta, na verdade ele odeia Deus e o nega. Não sendo o suficiente, o professor ateísta é atropelado e o reverendo que aparece durante todo o filme tem o único propósito de fazer o professor ateísta aceitar Jesus como seu Deus, por isso todos os 4 carros que ele tenta dirigir durante o filme não ligavam,  era tudo um plano de Deus. Chegam ao ponto de comemorar a morte do indivíduo apenas porque ele aceitou Jesus.

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As outras narrativas se mostram tão inúteis e forçadas quanto a do reverendo. A jornalista descobre que tem câncer e vira católica,  os filhos da mulher doente viram católicos,  o que acontece com o chinês que está infeliz o filme todo? Ele decide seguir Jesus e vira um homem completamente feliz e realizado.

Vocês devem estar pensando, “mas que bosta, não tem como ficar mais forçado?”. É ai que você se engana, no fim quase todos os personagens vão para um show de rock católico onde pedem para todos os expectadores do show enviarem a frase “Deus Não Está Morto” para todos seus contatos, que acaba aparecendo no celular do professor no momento de sua morte, após ele aceitar Jesus Cristo como seu salvador. Não tentando nem disfarçar o favoritismo religioso do filme, apos a cena final com a banda religiosa, uma mensagem aparece na tela e pede para que nós enviássemos essa mensagem para todos que conhecêssemos. Só faltou pedir para eu tatuar Jesus na minha nádega esquerda.

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Mesmo tendo uma boa premissa, uma quantidade considerável de atores bons e uma boa narrativa, o enredo e desenvolvimento repletos de favoritismos e propagandas religiosas destroem qualquer mensagem positiva e honesta que o filme poderia passar para o leitor. O único ponto onde o filme foi um completo sucesso foi a sua propaganda.  Deus Não Está Morto manipula uma proposta interessante para atingir um objetivo explícito: a glorificação do cristianismo, custe o que custar.

Eu me decepcionei com o filme, mas existem grandes possibilidades de você se ofender com o filme se for muçulmano, ateu e até mesmo católico dependendo da sua visão sobre o assunto.  Não cometam o mesmo erro que eu, vão dormir e não percam tempo com um filme que não diverte, não comove e passa uma mensagem extremamente forçada. Se você for um seguidor da igreja universal ou do templo mundial de Deus, esse pode se tornar seu filme favorito, pule de cabeça e exclua o EMD do seu favoritos.

jesus

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11 pensamentos sobre “Review – Deus Não Está Morto

  1. Desde que fui ao cinema e vi a capa desse filme eu já esperei uma propaganda enganosa. A palavra “Deus” no título parece que foi empregada só pra apelar aos que têm pavio curto em relação à religião e atrair o público curioso.

  2. Tentar provar cientificamente a existência de qualquer entidade superior é correr atrás do próprio rabo, apesar do meu respeito com quem aborda com bom senso a questão, coisa que esse filme não faz pelo jeito.

  3. assim que li a review fui conferir a serie. pensei que seria algo pra pensar um pouco e discutir comigo mesmo. INFELIZMENTE não deu pra ver nem mesmo até a metade da serie. juro que quando o irmão da mulçumana descobriu que ela era católica eu quase bati naquele menino por parecer tanto o meu irmao xereta AhusahushaushuaAHSuAhsuahs. Eu acabei esperando bons argumentos do protagonista e um debate igualmente bom contra o professor, acabei me decepcionando =/

  4. Não assisti, mas me parece ser uma propaganda religiosa bem imbecil, o que é uma pena porque a proposta podia produzir um bom filme, como disseste. E

  5. O próprio título, na verdade, já insinua que se vai defender a crença teísta, negando Nietzsche com uma frase mais que usada, ridículo! Hahahahaha.

  6. Sou cristão, e confesso que achei o filme muito forçado, um filme cristão que recomendo é a Última Batalha, inclusive é brasileiro.
    Lucas é jovem e, simplesmente, tem vivido a vida. Os dias vêm e vão e ele nem se dá conta de que seu destino eterno está em jogo. Não percebe que todas as coisas desta vida terão fim. Envolvido em sua rotina, Lucas adia a decisão que precisa tomar.

  7. Em geral não assisto esse tipo de filme, não é preconceito é que quase todos filmes desse tipo são uma propaganda religiosa sem argumentos convincentes, mas uma vez assistir “Henry Poole is here” esse sim foi uns dos melhores filmes que assistir nessa premissa de fé e existencialismo! é bem imparcial e o final é inteligente.

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