Comentando: Psycho-Pass 2 – Episódios 4 a 5

Passando aqui para deixar mais um post de comentário de Psycho-Pass, venho aqui falar sobre como esse anime está imprevisível e intenso.

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Passados o quarto e o quinto episódio de Psycho-Pass e vemos que o anime já engrenou seu enredo de uma forma bem mais rápida que na primeira temporada, mesmo seguindo o modelo “vilão do dia” dá para perceber claramente que muita coisa está acontecendo debaixo dos tapetes. A primeira coisa que preciso comentar é sobre os títulos dos episódios: The Salvation of Job e Unforbidden Games, respectivamente os episódios 4 e 5 do anime. O primeiro título se refere a obter uma espécie de “salvação” depois de passar por uma provação, referente ao senhor que era um cidadão de bem e não aguentando mais a vida letárgica e vazia proporcionada por Sibila a todos que estão abaixo de seu governo, decide agir passar por uma provação tendo que agir de forma criminosa e fazer todo aquele teatro grotesco dentro daquela farmácia, recebendo o seu senso de individualidade e de dever cumprido para a criação de um mundo livre como recompensa, morrendo em seguida para de uma certa forma ser “salvo”. O interessante é que todo momento ele estava lúcido de suas ações e sabendo exatamente o que estava fazendo que era seguir as orientações do Kamui, o que deixa claro que tanto ele como as pessoas usadas por Kamui se referem a ele como “salvador” que oferece “cura” para as pessoas, como se fosse um culto religioso.

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Isso deixa evidente que o Kamui é diferente do Makishima Shougo em relação ao seu objetivo e métodos. O Makishima manipulava as pessoas sem se importar com o que aconteceria com elas, fazia tais se tornarem criminosas com um coeficiente criminal bem alto e procurava causar o caos para fazer com que as pessoas caíssem em si, questionassem o sistema e causassem o seu fim. Já o Kamui age como uma espécie de “iluminado” para as pessoas que ele usa, ele se preocupa com elas como sendo almas perdidas e condenadas pelo Sibila e dá para elas liberdade e um objetivo bem diferente para elas viverem. Ao mesmo tempo,o Kamui junta vários tipos de informações do Sibila começando pelos Inspetores e Dominators, o fato dele ter conseguido a Shisui como refém e ter obtido Dominators é uma prova disso. Ele sabe também que os inspetores podem ser alvos de Dominators se estiverem com o coeficiente alto o suficiente, como visto no episódio quatro. O enigma “Qual é sua cor” foi presumidamente criado por ele para passar a mensagem que cada pessoa é um ser diferente, autoconsciente e individual, isso é uma questão tão recorrente nesta temporada que até a Akane chegou a questionar qual era a “cor”, ou a verdadeira personalidade de Sibila. O Kamui tá se mostrando um vilão de qualidade pois ele não deixa nenhuma pista diferente do Makishima, ele é realmente um fantasma neste ponto.

Essa deficiência de Eustress é algo que vem desde a primeira temporada, um conceito citado por Makishima usado no caso da Oryo da escola Oso e usado aqui para descrever a situação desse senhor antes de conhecer Kamui. O pai da Oryo sofreu um derrame por causa dessa síndrome fictícia, que é causada quando o sistema nervoso central não é estimulado como deveria e funciona de forma letárgica, como nos habitantes da sociedade governada pelo Sibila (agravado pelo tratamento que o sistema dá para as pessoas com um estresse elevado). O Eustress é um estresse positivo, gerado quando uma pessoa quer fazer o seu melhor, enfrenta desafios ou dando um exemplo melhor, quando ela pratica um esporte e tem aquela excitação quando enfrenta alguém bom. O Sistema sibila corta tudo isso, pois assim como as pessoas se preocupam em manter mais limpas possíveis para não serem enquadradas por causa de um coeficiente criminal alto, elas vivem de forma letárgica e sem autonomia, já que o sistema decide tudo por elas. O tratamento que as pessoas daquela sociedade recorrem para manter os seus níveis de estrese baixo piora mais as suas situações pois tiram toda a estimulação mental e cognitiva e as deixam mais entorpecidas e letárgicas, deixando-os em um estado parecido ao do Kamishiro Yuu do segundo volume do mangá Holyland (para quem viu) e gerando assim a Deficiência de Eustress.

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Eu cheguei a conclusão que Kamui está conseguindo a fé dos que acreditam nele e o seu objetivo é fazer as pessoas perderem a fé em Sibila. Ele representa a individualidade contra a coletividade representada pelo Sibila, ele quer que as pessoas tenham a sua autonomia para viver de forma livre e sentir essa liberdade, coisas que o sistema Sibila rouba de todos. Para contra-atacar isso, o sistema continua a negar que tem falhas e insiste em afirmar que é perfeito e joga toda a sujeira debaixo do tapete, queimando arquivos e manipulando a mídia para as pessoas não saberem o que ocorreu no episódio quatro. O ideal do sistema é que as pessoas se mantenham limpas a qualquer custo, mesmo que elas tenham que tomar medicamentos e drogas para isso e tenham que recorrer a tratamentos que poderão prejudicá-las no futuro. A Deficiência de Eustress é algo que vai de encontro a todos esses ideais, por isso o sistema Sibila trata de colocar isso como algo estaparfúrdio, quando na verdade é algo real, assim como o fato de exisitr alguém que é invisível ao Sibila. Assim, tanto o Ginoza como a Mika agem de acordo com o padrão definido pelo sistema, um alertando de forma inútil sobre um possível aumento do coeficiente criminal de Akane e a outra agindo de forma incrédula a respeito de qualquer coisa que fuja dos padrões determinados por Sibila.

Outra coisa que dá para notar é que a maior parte das pessoas que estão vivendo naquela sociedade é que elas não estão preparadas para lidar com situações por conta própria quando o Sibila se torna inoperante. Uma prova disso são os inspetores, parecem que o treinamento que eles recebem é apenas para usar os Dominators, fora isso eles não são muito diferentes de pessoas comuns (com a exceção de justiceiros como o Kougami, que já fogem desse padrão e se preparam fisicamente e mentalmente para enfrentar qualquer parada). A Aoyanagi em várias vezes fica dando murro em ponta de faca e tentando usar a Dominator naquele velho mesmo sabendo que não adiantaria nada e só no final que ela usa o pedaço de vidro e mesmo assim ela hesita. A Mika também é um grande exemplo de despreparo e até o Ginoza fica com um alarmismo inútil com a matiz da Akane mesmo sabendo que ela é assintomática. Acho que por eles terem crescido nessa sociedade essas reações ficam de uma certa forma fabricadas no inconsciente por culpa do sistema Sibila que tira a autonomia das pessoas. Isso também é uma crítica a sociedade moderna que fica cada vez mais dependente da tecnologia, logo, quando alguém fica em um situação aonde ela não tem a tecnologia a sua disposição, ela fica sem saber o que fazer. Na sociedade de Psycho-Pass, isso é levado em um nível mais extremo.

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No capítulo cinco, o foco é direcionado para o provável esconderijo de Kamui que é uma instalação militar aonde drones são fabricados e armazenados. A Shisui ainda está com Kamui e já lida de uma forma mais normal com ele, parece que ela poderá desenvolver uma síndrome de Estocolmo, aonde a vítima acaba se afeiçoando e se apegando ao sequestrador, ela nem se preocupa muito com o fato de uma colega dela a Aoyanagi ter morrido. O clima que o anime vem construindo até aqui vem agradando, um clima melancólico com perplexidade diante a enigmas e situações impensadas. O plano de Kamui esta vez ainda foi mais ousado pois de alguma forma ele conseguiu acesso aos sistemas dos drones militares e espalhou um jogo de celular para toda a população jogar sendo que esse jogo é um controle de drone disfarçado. Assim, quando as pessoas jogam e atiram nos robozinhos, elas estão matando pessoas na vida real sem saber. Isso me lembra aquela lenda urbana de alguns anos atrás aonde falava-se que a venda do Playstation II tinha sido restrita na época do lançamento porque teoricamente o console poderia controlar mísseis teleguiados. Aqui o roteirista usa essa lenda urbana de uma forma irônica e sacana para causar o caos naquela sociedade e ao mesmo tempo prosseguir com o plano de Kamui de atingir o coração de Sibila reunindo o máximo de informações do sistema.

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Mas o foco principal do episódio cinco foi a chatice da Mika que vem sendo a personagem mais odiada do anime pelos espectadores.Ela não é uma personagem burra que caiu lá de paraquedas só para ficar causando, ela é alguém que tem ideias bem diferentes de Akane por não saber da verdade e por ter passado por tudo que aconteceu na primeira temporada. Mas como ela está em um ninho de cobras, vai chegar uma hora no anime em que ela irá ter um choque bem pesado que irá colocar em xeque tudo que ela acredita. Eu não tenho raiva dessa personagem, apenas estou com pena antecipada pelo que vai acontecer com ela nos episódios que virão a seguir. Porém, dá para entender por que ela age assim, a única pessoa que viu o núcleo de Sibila com seus próprios olhos aqui foi a Akane (e o Kagari, embora ele tenha sido apagado logo em seguida). Nós vimos as coisas no ponto de vista dela, então presumimos inconscientemente que todos os outros personagens deveriam agir como se soubessem de tudo, o que não é verdade. Isso dá um plus na profundidade da Akane, ela sofre uma pressão especial por ser a única que sabe de tudo e assim ela irá fazer coisas aonde ela não terá ninguém que acreditará 100% nela. Ela pensa diferente igual ao Makishima e o Kougami, diferente dos demais que já se acostumaram a viver daquele jeito por não ter conhecido outro mundo diferente e serem manipulados pela mídia e pela formação educacional que eles tiveram.

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Assim, por ser uma personagem não muito carismática nem simpática, a Mika tornou-se a personagem para servir de contraponto aos ideais de Akane. Ela não é uma personagem agradável mas nem por isso é ruim, ela só precisa funcionar na obra. A interação da Mika com a Yayoi é algo notável, ela age de forma paciente com ela pois sabe que ela tem várias fraquezas causadas por causa do seu orgulho e inveja gerada por sua inexperiência e impetuosidade. Ela sabe que a Mika precisará trilhar a sua jornada e precisará aprender a resolver problemas e tomar a responsabilidade, então não há necessidade de abaixar a bola dela na marra. Por mais que ela estranhe a forma que a Akane trabalha, os acontecimentos que irão lhe sobrevir por mais que seja diferente que seja vai levar ao mesmo ponto que a Akane. Falando da Akane essa temporada será a prova de fogo dela, ela evoluiu como pessoa e agora terá que evoluir como investigadora e desta vez ela tem o Saiga que é o mentor do Kougami e é um investigador genial para ler o comportamento das pessoas e o Tougane, que é um incógnita. Comentando do Tougane, ele é um personagem completamente misterioso que permite uma gama de possibilidades para o enredo da obra. Ele pode ser qualquer coisa, desde um agente infiltrado de Kamui como alguém infiltrado por Sibila. Ele também se revela um personagem completamente fixado na forma da Akane agir, isso é mostrado no final do quinto episódio quando a Mika vasculha o seu alojamento e encontra gravações da voz da Akane e fotos dela com feições circuladas como se a Akane fosse um caso completamente especial e raro.

Para terminar, essa temporada está com um enredo mais intenso e envolvente graças a ótima narrativa que o roteirista do anime vem conduzindo até aqui, com várias subtramas acontecendo ao mesmo tempo alternando entre o ponto de vista dos personagens, criando assim uma sensação de imprevisibilidade. Eu não consigo imaginar o que vai acontecer daqui para frente em Psycho-Pass, ainda mais com a informação que nessa temporada uma pessoa pode se passar por outra. Vamos ver o que vai acontecer daqui para frente, quero ver a opinião de vocês sobre esse anime.

Link explicando sobre a estreia do Playstation II e a história dos mísseis (nos comentários).

Notícia: Controle do Nintendo Wii pode desarmar mísseis nucleares.

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3 pensamentos sobre “Comentando: Psycho-Pass 2 – Episódios 4 a 5

  1. Mika é aquele tipo de personagem que nos incomoda justamente por ser um reflexo daquela sociedade alienada, que pensa e se comporta confome o sistema exige. Fica até mais fácil entender o seu lado se lembrarmos que a geração dela nasceu no auge de Sibyl, ou seja, ele é a única verdade que ela conhece (pelo menos por enquanto), logo tudo o que ele diz é lei e deve ser respeitado, algo não muito diferente do que ocorre no mito da caverna de Platão. O que mais desejo é que a personagem consiga se livrar desse julgamento pré-fabricado e comece a pensar por si própria, e acho que isso não irá demorar muito a acontecer, visto a relação de respeito que a mesma mantém com Yayoi, alguém que, segundo o sistema, não é confiável. A partir de agora nos resta ver como ela irá reagir aos atos de Sibyl e Kamui e como isso a influenciará. Enfim, só queria dizer não que morro de amores pela personagem, mas sua presença e comportamento são perfeitamente compreensíveis naquele universo, por isso não entendo tamanho ódio por parte dos fãs.

  2. O quinto episódio foi simplesmente maravilhoso. A quebra de expectativas ao final foi bem surpreendente, e a última cena em especial foi, de uma forma perturbadora, genialmente escrita e mostrada.

    Essa segunda temporada está indo muito bem, porém se realmente inventarem do Togane ser um Kogami desfarçado, será completamente ridículo em minha opinião, desperdiçando a oportunidade do retorno do personagem nessa segunda temporada – que curiosamente ainda não ocorreu.
    Parece que a série está tentando mostrar o quão semelhantes são os dois, porém não tenho esse sentimento, sinceramente. Sou só eu? Enfim, sei que o Togane é uma personagem com grande potencial (fiquei especialmente curioso após saber que o coeficiente criminal dele foi o mais alto na história do sistema) que não será gasto em um plot twist mal feito.

    Não sei se já viu o sexto episódio, mas após assistí-lo estou tanto esperançoso quanto “amedrontado” para o que está por vir para a série. Muito pode ir bem, mas muito pode ir mal da mesma forma.
    E ainda lembro-me que o desfecho dessa temporada não é o real final, devido ao filme em Janeiro de 2015. Se os rumores que acidentalmente li sobre seu enredo forem verdadeiros, então esse projeto tem um potencial imenso que pode se desdobrar em um futuro ainda maior e mais amplo para a franquia.

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