Album Review: Blues Pills – Blues Pills

Album Review - Blues Pills (capa)

Algum tempo atrás na ilha do sol eu fiz a review do ultimo álbum do U2. Nela falei de como uma banda tão boa hoje se encontra em uma profunda decadência musical. E curiosamente algo que eu já imaginava aconteceu.

Algumas pessoas comentaram que o “rock estava morrendo” ou que o mesmo já se encontrava morto e como hoje em dia não se faz mais musica como antigamente. Eu discordo completamente, por isso hoje eu trago essa review.

Comentei desta banda em um Melhores e Piores no cast de Cavaleiros do Zodíaco. Falei de uma banda que havia lançado um álbum de rock, uma banda que trouxe o que para mim é um dos melhores álbuns de 2014.

Antes de tudo vou dar uma pequena introdução sobre a banda. O jovem quarteto formado por Dorian Sorriaux (guitarra), Cory Berry (bateria), Zack Anderson (baixo) e Elin Larsson (vocal),. teve seu inicio quando os meio-irmãos Cory e Zack faziam uma turnê com sua banda Radio Moscow, onde vieram a conhecer Elin nos Estados Unidos e o jovem de ainda 16 anos Dorian na França. E em 2011 tinha inicio a promissora banda Blues Pills.

Blues Pills - Banda

Então no dia 25 de Julho de 2014 a banda lança seu primeiro álbum, o autointitulado Blues Pills.

E assim que você da play nesse disco algo diferente acontece, é como tomar uma pílula mágica e ser transportado diretamente para a euforia dos anos 70. Assim que a primeira musica toca você sente se arrepiar, existe tenção, é criada expectativa na musica de abertura, até o momento em que Elin começa a cantar e você sente ser jogado pra fora de seu corpo. Minha primeira impressão foi a de espanto, eu não sabia que aquilo estava por vir, a muito tempo eu não ouvia algo assim.

A abertura desse álbum é a definição de Elin Larsson em Blues Pills “High Class Woman”. É incrível o poder vocal dessa mulher, o quão longe ela pode ir e o quanto ela pode mudar durante a musica, passando de um anjo a sussurrar em seus ouvidos até uma deusa que o arrebata com seu poder. É até difícil não ser tomado pelos vocais que simplesmente te colocam em transe, mas se eu posso dizer algo é que Jannes Joplin estaria orgulhosa.

Elin

Mas não somente Joplin estaria orgulhosa, mas todo o rock’n roll, porque cada vez mais eu noto o quanto Blues Pills representa uma geração que não existe mais. Escutar esse disco é como ver toda uma geração ser representada em um único momento.

As viradas rápidas e o ritmo frenético da bateria, o baixo que de tão trabalhado mais parece um instrumento de frente, uma guitarra que ainda transita do blues para as loucas e psicodélicas distorções do rock dos 60 e 70, juntos a um vocal arrebatador.

Durante todo o disco somos apresentados a momentos simplesmente brilhantes, dos já citados vocais arrebatadores até uma bateria que corre frenética, um ritmo que de tão eletrizante te faz se levantar bater o pé, pular e correr, com viradas tão bem posicionadas que fazem seus ouvidos trocarem de lugar. E por trocar de lugar o baixo aqui só não faz café, porque de resto ele faz tudo. É possível sentir o grave deslizar pelas mãos do musico e fluírem para a musica, é impressionante o quão preso o baixo está na musica, é como se ele conseguisse fluir para todas as partes.

Agora se o vocal é arrebatador, o que é a guitarra do jovem Dorian. Bem ela é fenomenal, e essa é a única palavra que pode descrever o quão incrível esse garoto é como guitarrista. Ele captura a essência do bom rock, a guitarra simples com uma distorção simples que em muitos momentos não apresente solos ultra complexos, mas que apresenta solos perfeitos, perfeitos para a musica que ele está tocando. A psicodélica na extensão de seus bends e na sua capacidade de manter as cordas soando, faz parecer com que jatos estejam voando pelo braço de sua guitarra e façam seu som ecoar por horas em nossos ouvidos.

E não o bastante tudo isso o álbum inteiro apresenta algo que poucos artistas, principalmente no mundo do rock sabem fazer bem, que é um conjunto. As faixas iniciais são cheias de uma expectativa, riffs repetidos e a bateria em marcha são presentes em quase todo o inicio, mas a musica evolui “Jupiter” a terceira musica nos leva a outro planeta e em Black Smoke tomamos uma porrada e partimos para dentro do mundo louco do rock, até o momento em que chegamos ao plano astral, ou melhor a oitava faixa do disco “astralplane”. Então como ciganos partimos em retirada até as ultimas musicas e vemos o sol se por em “Little Sun”, um final memorável.

Faz muito tempo que eu não escuto um álbum assim e eu sei que eu posso parecer meio eufórico demais nesse texto, mas a realidade é que esse é meu sentimento ao escutar esse álbum, eu me sinto eufórico a escutar Blues Pills eu sinto como se finalmente uma banda criasse musica digna dos primórdios do rock. Não existe frescura, barulhinho, ou querer ser mais do que é. Blues Pills é Blues Pills. E como se não bastasse eles ainda tem uma musica que chama Devil Man.

Mas agora algo me preocupa, será que essa banda consegue fazer algo tão bom novamente?

bluespills-wallpaper02

Bem eu só posso esperar que sim, já que esse é para mim o melhor álbum do ultimo ano e um dos melhores que eu já escutei em muitos anos.

 

Obrigado a todos!

9 pensamentos sobre “Album Review: Blues Pills – Blues Pills

  1. Eu comentei que o Rock estava morrendo e não me desfaço da minha opinião, não tem nenhuma banda hoje que represente o rock no grande público, no máximo Arctic Monkeys e Imagine Dragons, não tem aquela banda para fazer as pessoas conhecerem o gênero e irem atrás de se aprofundar como era Guns na sua época por exemplo, o que continua no “mainstream” até os tempos de hoje são as bandas antigas, assim que as mesmas acabarem o rock vai se tornar mais um gênero de nicho igual o Jazz e o Blues, as bandas undergrounds não terão uma base para tentar escalar em rumo ao sucesso, o que retirará muita gente talentosa do meio porque não conseguirá “sobreviver” de música. Eu vejo tempos negros não apenas para o Rock em si, mas para a música como um todo porque estamos caminhando para gêneros completamente “robotizados” e sem melodia na minha opinião, que são o POP (que já domina tem um tempo), o Eletrônico/Dubstep e o RAP (que eu gosto) que está crescendo muito na gringa e aqui no Brasil.
    Sobre o álbum em si, ele provavelmente é o melhor álbum que escutei que foi lançado nos últimos anos; o vocal dessa mina é insano demais, me apaixonei na voz dela é muito bom e resgata o meu sentimento dos vocais de bandas mais antigas, essa coisa de usar e abusar da entonação da voz passando sentimentos diversos ao ouvinte em quanto a música rola; e o que dizer desta escolha da banda de tornar o baixo e a bateria tão sonoros na música, em certas partes se destacam muito mais que a própria guitarra e após ouvir este álbum eu parei de zuar meus amigos que tocam baixo; tenho que admitir que Blues Pills “reascendeu” minha esperança em relação ao gênero, estamos muito bem representados no momento e eu acredito que Blues Pills tem yudo para chegar ao mainstream como Led Zeppellin o fez. A única coisa que eu me irrito em relação a banda não são eles em si, mas sim a mídia poque em vários locais onde procurei sobre a banda em nenhum momento falaram em relação a sua individualidade e as suas características próprias, mas sempre falavam no título coisas mais ou menos assim “O novo Led Zeppelin” ou “O Led Zeppelin da nova geração”, e porra cara isso passa uma impressão errada sobre a banda.
    No mais o texto está muito bom Lucas e eu entendo a sua euforia por parte dessa banda huahuahuahua!

    • Cara sobre o rock estar morto. Considerar que um gênero está morto porque ele não é “mainstream”, é não olhar para o mundo da musica como um todo.
      A realidade é que tendemos a pensar que o rock morreu só porque ele não passa na TV, porque a realidade é que a popularidade é mediada pela televisão, mas principalmente hoje em dia isso não representa muita coisa. Existe muita banda boa por ai e muita banda que está surgindo, elas não estão na “grande mídia”, mas elas sim fazem um certo sucesso, existe muita banda que não está no mainstream e vende muito disco. Temos um exemplo aqui no Brasil, o calypso é a banda que mais vende disco no Brasil já a alguns anos e a TV só mostra o sertanejo.
      Enquanto tiver gente fazendo musica e musica boa o rock não vai morrer, tecnicamente falando a musica continua evoluindo e graças a internet, bandas que nunca teriam a mínima relevância hoje são conhecidas, e quanto mais as pessoas pararem de simplesmente absorver o que falado pra elas e começarem a procurar elas mesmo o conteúdo que interessa, mais a musica vai evoluir e essas musicas bosta não serão as únicas a fazerem “sucesso”.

      • Na minha opinião, infelizmente, o rock não morreu, mas também não ganhou uma roupagem nova para o século 21 que lhe representasse. Gêneros atuais como o Nu Metal descaracterizaram o rock, tiraram todo o manifesto que existia, toda aquela rebeldia, trocando por lucros. Dos anos 60 ao 90, sempre tivemos mudança no rock, mas mesmo que radicais (como o Heavy Metal) essas mudanças nunca descaracterizaram o rock como agora. Albums como esse são bons, mas não trazem inovação, não trazem um roupagem que possamos dizer ser o verdadeiro rock do século 21. No mais, é um ótimo album, entre vários fora da mídia.

        • Cara o Nu Metal não é mais rock é metal, essa questão que você está colocando é referente ao surgimento de novos estilos derivados do rock.
          O rock assim como todos os outros estilos possuem uma base, algo que caracteriza o estilo, a partir do momento que você pega esse estilo e muda ele, você o transformou em algo diferente. O que cria essa diferenciação dentro do estilo são as bandas que o tocam, Led Zeppelin e Queen são bandas completamente diferentes, mas fazem o mesmo rock, eles não fazem metal ou qualquer outra coisa. Blues Pills, por exemplo, trás a essência de um tipo de musica que era feita nos 70 e que hoje em dia quase ninguém faz.

          E no quesito de evolução, é difícil você dizer que o gênero não evolui quando tantas bandas surgem com discos tão incríveis como o Queens of The Stone Age, e outras como o Radiohead que eu mesmo não gosto tanto, mas que revolucionou o mundo da musica.
          O que eu quero dizer é que existe sim muita musica boa sendo feita, muita banda boa aparecendo, não só no rock. E dizer que o mesmo está morto ou não evolui me parece um erro, tendo em vista que tanta coisa está acontecendo no mundo da musica, e por mais que glorifiquemos os 60 e 70, devemos lembrar que sempre falamos das mesmas bandas pra dizer o quão boa essa época foi, mas nos esquecemos de que existiu muita coisa ruim sendo feita nessa época também, em quantidades muito maiores.

          Resumindo o mundo da musica não está perdido, é só parar pra escutar o que de bom está sendo feito hoje em dia.

  2. Caralho Lucas muito obrigado por ter me apresentado esse álbum, uma musicalidade que me lembra os clássicos dos anos 70 como led zeppelin e principalmente Deep Purple, a banda é boa, não quero comentar sobre a cena musical hj em dia, parei de acompanhar bandas novas algum tempo.

    E só uma curiosidade sobre o primeiro clipe High Class Woman, alguém notou que ele é baseado no filme clássico do Scorsese Taxi Driver de 76? Kkkkk sou fã do Scorsese, gostei muito quando vi, até o motorista do táxi esta igualzinho ao Robert De Niro, a banda já ganhou meu respeito por isso.

    Abraços Lucas e vlw pela Review

  3. Ótimo post Lucas! Tu me apresentaste uma ótima banda, ainda mais agora que pretendo me aprofundar no rock, valeu mesmo = )
    Indo para um lado um pouco mais off, poderia me dizer o que você acha do Nu Metal? Bandas que tu gosta, desgosta, etc.

    • Não gosto nenhum pouco de Nu Metal, acho quase tudo no gênero ruim. É mais uma das variações sem sentido do metal, um estilo que não busca evoluir musicalmente, ou mesmo busca representar alguma mensagem. Mais parece um bando de “metaleiros revoltados” que querem ser diferentes e misturam tudo o que podem pra fazer metal.

      Claro que não posso generalizar, é possível que apareçam bandas que peguem o estilo e façam algo de bom com ele, mas a simples ideia de misturar um monte de coisa em um estilo sem proposito algum e falar que isso é um gênero legitimo me parece errado. Conseguir equilibrar um elemento oriundo de outro gênero ao seu estilo natural é muito mais o refinamento de algo do que a criação de algo novo.
      Por enquanto ainda não vejo propósito no gênero, mas quem sabe um dia apareça uma banda que mude minha opinião.

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